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Lista de falecimentos - 02/07/2015

Eleonora Hilda Seidel: da enfermagem durante a Segunda Guerra à direção da empresa da família

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

A catarinense Eleonora Hilda Seidel era companheira para todas as horas. Gostava de estar sempre presente na vida de seus dois filhos, Rubens e Elvina, e também dos quatro netos. Como boa conselheira que era, ouvia com atenção os problemas de todos e estava sempre disposta a indicar um bom caminho. Quando Beatriz e Tiago, dois de seus netos, resolveram trocar a graduação que estavam cursando, ela foi a primeira a aconselhar e apoiar a decisão.

A avó, mesmo já com mais de 90 anos, topava participar de todas as aventuras que foram surgindo. Dava cambalhota com seus netos, apostava corrida de bicicleta e enfrentava os primeiros passeios dos novos motoristas. Por ser sempre muito confiante, ela era o porto seguro de toda a família. Ela era ainda a “tira dentes” oficial das crianças. “Nenhuma outra pessoa podia arrancar os dentes de leite dos netos de Eleonora”, conta a filha Elvina.

O amor de Eleonora também se estendia aos seus muitos animais. Na chácara da família, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, tinha um pouco de tudo: cachorros, galinhas e outros animais de fazenda. Cuidava de todos com muita atenção e carinho. Na casa em Curitiba, os companheiros eram seus três cachorrinhos: Babi, Willi e Frederico. Ela também se dedicava às plantas e às flores do jardim, em casa e na chácara. Enquanto plantava e cuidava do quintal, seus três cachorros aproveitavam para “ajudar” cavando a terra.

Filha do casal de alemães Margareth e Germano Bettge, ela chegou ao Paraná ainda criança. Seu pai foi um desbravador de novas cidades do estado. Antes, passou por todo o Brasil. Aos 16 anos, fixou residência com seus pais em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, c idade em que ficou por pouco tempo.

Eleonora tinha o sonho de se tornar uma grande pianista; a família então resolveu ir em busca desse objetivo. Meses depois de chegarem a Ponta Grossa, eles resolveram partir para a Alemanha para que a jovem pudesse estudar música. Mas eles não poderiam imaginar o que estava para acontecer: no dia em que o navio aportou em Hamburgo, a Segunda Guerra Mundial seria declarada. O período de guerra foi um dos mais complicados na vida de Eleonora. O sonho de se tornar pianista teve de ser deixado de lado; a relação com a música passou a ser um pouco mais distante, apenas como apreciadora. Durante a guerra, ela fez um curso de enfermagem e passou a atuar como enfermeira da Cruz Vermelha Internacional. Carregou as piores lembranças do conflito, mas sempre destacava a coragem que adquiriu naquele momento. E foi essa característica que a guiou durante toda a vida.

Mas ela não trouxe somente lembranças ruins da Alemanha. Lá conheceu o marido e companheiro de toda a vida, Helmuth Seidel. Já casados e com o primeiro filho, Rubens, eles retornaram ao Brasil assim que a guerra terminou. O casal e os pais dela vieram em buscas de novas oportunidades de emprego, já que restavam poucas na Europa.

Aqui, o pai, o marido e Eleonora abriram o negócio que se tornou o grande patrimônio da família: Germano Bettge & CIA, indústria de plástico. Com a morte do pai e, mais tarde, do marido, ela assumiu o controle da empresa. Ficou conhecida por conduzir a companhia com “mãos de ferro”, como todos caracterizavam o seu trabalho. Atuou por 49 anos como diretora da empresa, a qual durante a gestão dela passou a se chamar Artplastic Bettge Ltda.

A descoberta de um câncer no intestino, no início de 2015, fez com que Eleonora diminuísse o ritmo de todas as atividades. As complicações causadas pela doença fizeram com que ela não resistisse. Deixa os dois filhos: Rubens e Elvina; e os quatro netos: Rubens, Beatriz, Bianca e Tiago.

Lista de falecimentos - 02/07/2015

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