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Lista de falecimentos - 25/03/2015

Elvira Edite Pan: as vendas pelos catálogos e o chimarrão

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

As ruas do bairro da Ronda, nas proximidades do Centro de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, são as principais testemunhas dos últimos 30 anos da vida de Elvira Edite Pan, ou simplesmente Edite. Ao longo desse tempo, a vendedora autônoma de produtos de catálogo – tais como perfumaria e cosméticos –, fez muitas e longas caminhadas para encontrar suas clientes. Dona de casa e mãe de três filhos, era especialista em puxar e manter boas conversas. Essa característica foi essencial para que ela se arriscasse no universo das vendas, onde não tinha experiência alguma.

“Minha mãe queria ter o seu próprio dinheiro e era algo que ela gostava de fazer. Tinha muita desenvoltura para trabalhar com vendas”, observa o filho Marcos. Quando os filhos não podiam acompanhá-la, ela fazia questão de ficar fora de casa o menor tempo possível. “A mãe sempre dizia ‘não vou demorar’ e, realmente, logo estava em casa de volta pra cuidar da gente”.

Bem antes do capítulo paranaense dessa história, Edite teve uma infância de brincadeiras e de trabalho no Rio Grande do Sul. Natural de Guaporé, na Serra Gaúcha, foi a nona criança nascida entre os 12 filhos de Isidoro e Josefina Rosnieski. A família produzia fumo na região rural da cidade e Edite ajudava os pais em alguns afazeres. Ainda nessa época de criança, fez amizade com um vizinho chamado Umberto Pan. O laço da infância se transformou em casamento anos mais tarde. “Não há parentesco entre as famílias do meu pai e da minha mãe. Apenas uma relação de vizinhança. Mesmo assim, eram todos muito unidos. Tanto que as duas famílias se mudaram juntas para Santa Catarina, quando meus pais eram adolescentes”, lembra o filho.

Depois de algum tempo morando na região de Maravilha, no Oeste catarinense, a família de Edite resolveu se mudar para Curitiba. Umberto decidiu seguir com a amada e deixou seus pais no estado vizinho. Enquanto moraram na capital paranaense, na década de 1970, os dois casaram e tiveram dois de seus três filhos. “Eu sei que morávamos no São Braz, mas quase não tenho lembranças de lá. Meus pais se mudaram para Ponta Grossa quando eu ainda era pequeno”.

Antes de se estabelecer de vez na Princesa dos Campos, Edite passou uma temporada em Alta Floresta, no norte do Mato Grosso, onde o marido foi tentar a sorte. “Um irmão do meu pai já estava por lá e, na época, a exploração de madeira e o garimpo atraíram muita gente”, conta Marcos. A falta de luz elétrica, a necessidade de tomar várias vacinas contra doenças típicas da região e o calor fizeram com que a família desistisse da “aventura” no Centro-Oeste. “Além de tudo isso, tanto a mãe quanto o pai estavam com saudades dos parentes e do clima mais frio de Ponta Grossa”. Depois de três anos morando no Mato Grosso, em meados dos anos 1980, eles retornaram para os Campos Gerais e voltaram a morar no bairro da Ronda.

Apesar de ter vivido pouco tempo de sua vida no RS, ela jamais abandonou o hábito de tomar chimarrão. Toda quarta-feira, o cheiro da erva-mate perfumava as conversas entre amigos e parentes que se reuniam na casa da mãe de Edite. “Era um momento ‘sagrado’ da semana para ela”, diz Marcos. Sagradas também eram as manhãs de domingo, quando ela dedicava para se encontrar com Deus na Paróquia Santa Rita de Cássia, também na Ronda. Deixa o viúvo, três filhos, cinco netos, a mãe e dez irmãos.

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