
Duas coisas estavam sempre presentes na vida de Felipe Vanini Bruning: a cultura e a aventura. Difícil é dizer qual entrou primeiro na história do curitibano, mas é certo que quando chegaram vieram para ficar. Aos 8 anos ele já andava de skate e começou a se aventurar no surfe. Também ainda criança Felipe já mostrava o talento que tinha para a escrita. Sempre dividido entre esportes e cultura, tentava unir as duas coisas.
Ficava atento a tudo o que acontecia no âmbito cultural. Teatro, música e exposições eram frequentes na rotina. Nos cinco anos em que esteve morando em São Paulo, aproveitou para ir a peças, cinemas, shows e museus.
A literatura tinha um lugar especial no coração de Felipe. Mal terminava um livro e já estava com outro nas mãos. Passava horas em livrarias e bibliotecas. Comprava e emprestava diversos títulos. Por vezes conseguia conciliar dois ou três livros ao mesmo tempo. Quando as edições eram volumosas justificava dizendo: “não importa o tamanho do livro, se o assunto for bom ele deve ser lido”, lembra Vera, mãe de Felipe. Quando gostava muito de uma história tentava convencer todos a lerem também.
A cultura também fazia parte do roteiro durante as viagens. Quando visitou a Europa fez questão de ir ao teatro e museus pelos países em que passou. As viagens também eram frequentes na vida de Felipe. Trabalhava, juntava dinheiro e logo partia para conhecer um novo lugar. Era como se sempre estivesse planejando o próximo destino. Com os irmãos, Juliana e Bruno, queria conhecer a Irlanda. Quando estavam juntos falavam sempre sobre a possível viagem.
Felipe se formou em Jornalismo em 2008 e durante toda a faculdade já começou a mostrar a o que veio. Sempre teve opiniões fortes, que ficaram ainda mais intensas com a leitura. O curitibano encontrou nos livros os melhores argumentos que tinha. Não era um homem de assuntos pequenos. Gostava dos grandes tópicos, daqueles densos e complexos. Os grandes assuntos eram refletidos no trabalho. Guiou a carreira como jornalista econômico. Trabalhou nos jornais O Estado de São Paulo, Folha, Gazeta do Povo, El País e na revista Exame. Nos últimos tempos, dedicava-se ao portal Nova Cana.
Uniu o esporte com as responsabilidades no caminho para o trabalho. Ia de bicicleta todos os dias. Não se importava com a distância. Se precisasse, atravessava toda a cidade de bike. Não tinha desejo de ter carro ou moto. Gostava mesmo é de pedalar. Além do surfe -- que seguiu firme desde criança -- e da bike, a escalada era um dos esportes da vida de Felipe. Começou também ainda pequeno, subindo muros baixos. Logo pegou gosto pela coisa e passou a se aventurar em grandes paredões. Também praticava o esporte em trilhas naturais e montanhas. Estava sempre em busca de adrenalina. “Não tinha medo de se arriscar”, conta a irmã, Juliana.
Felipe era muito próximo dos familiares. A família estava sempre reunida para almoços e jantares. Participava de todos os encontros. Era um menino mais introspectivo, mas ao mesmo tempo não negava uma boa conversa. O jornalista também era conhecido por seu senso de humor um pouco diferente. “Ele era um pouco mais irônico nas piadas”, contam a mãe e a irmã. “Ele tinha ótimas sacadas ao falar com as pessoas”, completa Juliana.
No dia 19 de setembro Felipe sofreu uma queda da sacada do apartamento em que morava, em Curitiba. Deixa a mãe, o pai, os dois irmãos e dois sobrinhos.







