
Se tinha uma coisa que Fernanda Soares Possebon sabia, era fazer amizade. Dona de olhos marcantes e de um sorriso largo, espalhou simpatia e autenticidade por onde passou. Foi a sua vontade de levar alegria às pessoas que lhe garantiu centenas de amigos. Gostava mesmo de ajudar e resolveu seguir carreira como psicóloga. A jovem lutava sempre pelo bem de todos ao seu redor, inclusive dos animais.
Desde pequena, a curitibana Fernanda já mostrava a sua alegria. Era a única menina entre os três irmãos: Bruno, Alfredo e Marcelo. Ela não media esforços para mostrar seu amor pelos seus três meninos. A forte união entre os irmãos era algo que chamava a atenção de todos, desde a infância. A jovem também sempre se mostrou muito estudiosa. Gostava de manter seus cadernos impecáveis. Todos eram enfeitados com flores e corações. Levou o zelo com os materiais por todos seus anos de estudos.
A adolescência foi muito ativa. Ela sempre estava disposta e cheia de energia para sair com os amigos. Além das festas e passeios, estava pronta para fazer algo por quem precisasse. Por muito tempo, participou ativamente da ONG Parceiros do Mar, em homenagem a uma amiga que morreu afogada, em 2012. Desde muito jovem, já traçava planos para seu futuro profissional: queria ser psicóloga e seguir ajudando o próximo.
Com o passar dos anos, sua personalidade não mudou. Manteve-se estudiosa, cheia de amizades e muito altruísta. Tornou-se psicóloga em 2013; formou-se pela PUCPR. Foi um período de intensa felicidade para ela. Logo que terminou a universidade, passou a se dedicar ao estágio no Hospital de Clínicas. Sonhava em se especializar no auxílio a pessoas com distúrbios alimentares e para isso viajava uma vez por mês para cursar uma pós-graduação em São Paulo. O hábito de leitura estava quase sempre relacionado à profissão, pela qual tinha verdadeiro amor.
Fernanda seguiu sempre firme em suas decisões e convicções. Tinha uma personalidade forte, sempre com opiniões sinceras a respeito dos mais variados assuntos. Apesar do seu posicionamento, estava sempre disposta a ouvir e aberta a novos olhares. Era conhecida entre todos por sua autenticidade e transparência. Ela era muito clara quando dizia se gostava ou não de alguma coisa. A simpatia e a paciência para ouvir as pessoas garantiram centenas de amigos em toda sua vida. “Ela era muito autêntica em suas opiniões, mesmo assim muito sensível e carinhosa, sempre queria entender todo mundo”, lembra a mãe Annamaria.
Os muitos amigos eram seu grande tesouro e ela amava estar reunida com eles. Para Fernanda não importava o lugar, mas sim as suas companhias. “Ia a lugares que tocavam rock, pagode, samba e se divertia em todos. Ela gostava mesmo é de estar com quem amava”, conta a amiga Luciana Sálvaro. Apesar de sempre gostar de sair, também não se importava com os dias em que ficava em casa. Nestes momentos aproveitava para estar junto com a família. Gostava de ver filmes e tomar um bom vinho ao lado dos pais e dos irmãos. Todos destacavam sempre a sua beleza, seus olhos grandes, os cílios compridos e o sorriso largo marcavam a boa aparência.
Os animais ganhavam grande parte de seu amor. Teve muitos companheiros de estimação durante seus 27 anos de vida. Cuidava muito bem de seus bichinhos. Teve muitos gatos e cachorros. Deu muita atenção também aos animais de seus amigos, aos quais estava sempre disposta a oferecer um carinho. Um de seus últimos cachorros, Dionísio, o Dio, lutou contra um câncer na mesma época que a sua dona. O cãozinho faleceu três dias depois de Fernanda, no mesmo horário.
Os últimos meses da vida da psicóloga foram de intensa luta. Após a descoberta de um tumor no cérebro, passou a fazer inúmeros tratamentos para tentar impedir o avanço da doença. Em janeiro de 2015, sofreu uma convulsão, o que prejudicou algumas de suas funções motoras.
Antes de partir, Fernanda recebeu diversas homenagens por sua luta. Cerca de 150 amigos participaram de um vídeo com mensagens de apoio à jovem. Faleceu no dia 1.º de maio. Deixa a mãe, Annamaria, o pai, Alfredo, três irmãos, duas sobrinhas e centenas de amigos.
Dia 1º de maio, aos 27 anos, de câncer, em Curitiba.
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