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LISTA DE FALECIMENTOS - 23/11/2015

Gebran Sabbag: uma vida espichando as mãos

 | Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
(Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo)

Ele ainda era um menino quando descobriu a paixão pela música. Com 11 anos, Gebran Sabbag começou a se interessar pelo piano. Após ter quatro aulas com o pianista Cláudio Stresser (1936-1973), seguiu instintivamente os seus estudos musicais.

Autodidata, gostava de sentar na frente do piano em busca de novas harmonias. Ao ouvir no rádio uma canção do cantor e pianista de jazz norte-americano Nat King Cole, Gebran considerou a possibilidade de “tocar como esse cara”. No jazz, o pianista fez carreira e impressionou os amigos de profissão com a sua capacidade de improvisação.

Filho de imigrantes sírios, Gebran Sabbag nasceu em Rio Negro, em 1932. No ano seguinte, mudou-se com a família para Curitiba. Os pais, comerciantes, custaram a aceitar a música como uma profissão. Nesta época, a imagem do músico profissional não era bem vista por causa dos ambientes em que esse profissional circulava, em sua maioria cabarés e casas de shows. Porém, ser músico foi o caminho que ele escolheu seguir.

Em 1947, o pianista estreou nos palcos do Clube Curitibano acompanhado de um conjunto vocal de filhos de associados. Depois disso, sua trajetória artística encontrou grandes nomes da música, como Lúcio Alves, Cauby Peixoto, Taiguara e Rosemary. Na história do jazz curitibano, as suas improvisações ocupam um espaço privilegiado na memória dos apreciadores do gênero musical.

Na companhia da sua esposa,Suely, que morreu em 2002, Gebran Sabbag constituiu uma grande família. O casal teve sete filhos e o pai transmitiu para todos a educação musical. Com a manutenção de eletroeletrônicos, ele mantinha o sustento da sua família. A sua oficina funcionava como um “pequeno museu” repleto de televisões e equipamentos sonoros antigos. Gostava de consertar os amplificadores valvulados, tipo de amplificador bastante utilizado nos anos 50, 60 e 70. O feito, porém, podia demorar anos devido à dificuldade de se encontrar as peças necessárias para o conserto.

Para os netos, a oficina do avô era um espaço lúdico. “Ele nos ajudava a construir umas placas de luz, algo bem simples. Mas quando se tem 6 anos, isso é uma brincadeira incrível”, relembra o neto Ricardo Sabbag. Sem exceção, todos os netos tiveram uma “cadeirinha” de ajudante na oficina do avô.

As festas de família eram regadas com muita música. Acompanhado de amigos de profissão, em pouco tempo se fazia uma banda. O som e a dança invadiam a madrugada. “Essa situação era algo normal, somente com o tempo eu percebi como é especial ser integrante de uma família de músicos”, diz Ricardo.

No colo do avô, os netos aprendiam a tocar algumas notas no piano “a quatro mãos”. Ricardo Sabbag lembra que uma das primeiras músicas ensinadas pelo avô foi a canção popular “Oh! Susana”, sucesso de Stephen Foster.

Durante a carreira como pianista, Gebran se inspirou em artistas como Nat King Cole, George Shearing e Erroll Garne. Também admirava artistas da MPB, como Tom Jobim. Categoricamente, ele dizia que gostava de música boa. Em 2013, aos 81 anos, o pianista entrou pela primeira vez em um estúdio para gravar suas composições. Em uma matéria publicada na Gazeta do Povo, Sabbag afirmou que era “um privilégio ter passado a vida espichando a mão.”

Colaborou: Larissa Mayra

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