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Lista de falecimentos - 09/09/2015

Genoveva Paczkowski Antunes Pinto: a arte de formar artistas

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Quando tinha pouco mais de 20 anos, Genoveva Paczkowski Antunes Pinto resolveu colocar à prova toda a capacidade de empreender e fez nascer, em 1954, a Academia Universal “Arte e Profissão”, uma das mais antigas e tradicionais escolas de ofícios de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Em parceria com as irmãs Suzana e Melânia, ela transformou uma sala na Rua do Rosário, no Centro, num espaço em que as pessoas podiam aprender corte e costura, pintura em tela e datilografia, entre outras atividades.

Mas a vontade de ter um negócio próprio e de poder se sustentar surgiu ainda mais cedo em Genoveva, quando ainda morava em Itaiópolis (SC), sua cidade natal. “Com 12 anos, ela já não se conformava por não ter um meio de ajudar a família. Então resolveu pedir que nosso pai lhe desse uma máquina de costura, mas ele fez a vontade dela”, conta Suzana. Genoveva não desistiu e resolveu procurar trabalho. “Ela era uma criança e, mesmo assim, conseguiu emprego numa fábrica de cordas. O salário permitiu que comprasse a dita máquina de costura, mas o sonho custou ‘caro’. Ela perdeu metade de um dos dedos da mão ao lidar com a lâmina que cortava a palha na fábrica”, relata a irmã.

Em meados de 1940, o pai de Genoveva, Pedro, que exportava erva-mate para a Argentina, sofreu com a queda nas compras feitas pelo país vizinho durante a Segunda Guerra Mundial. A situação ruim fez com que a família toda se mudasse para Rio Negro, no Sul do Paraná. Ele resolveu abrir um hotel. “Mas não deu certo. A gente terminou de perder o que tinha, inclusive a máquina de costura da minha irmã”, conta.

Foi em Arapongas, no Norte do Paraná, que as coisas começaram a melhorar para a família. Ainda adolescente, Genoveva já ministrava aulas de costura e decoração do lar para pessoas da elite. Apesar do sucesso, o excesso de pó no ar da região causava tantos problemas respiratórios que a jovem acabou se mudando sozinha para Curitiba. Já na capital, ela resolveu realizar um sonho: visitar a escola profissionalizante da companhia Singer. “O pessoal gostou dela ‘de cara’ e, logo em seguida, veio o convite para ser professora”.

Pouco tempo depois, no fim da década de 40, ela foi transferida para a escola da Singer de Ponta Grossa, cidade onde se fixou. Decidida a ter sua própria empresa, ela precisou ser corajosa para recusar um convite tentador: “a Singer queria que ela se aperfeiçoasse nos Estados Unidos e que seguisse carreira na escola da empresa”, lembra-se Suzana. Apesar da insegurança inicial, a Academia Universal logo se mostrou um sucesso. Com apenas dois anos de experiência como diretora da própria instituição, Genoveva produziu um desfile de moda histórico no Cine-Teatro Ópera. “Foi um evento diferente: as modelos eram as nossas próprias alunas e trajavam roupas confeccionadas por elas mesmas, independentemente do tipo de corpo que tinham. Agradou muito”. Ao longo de 60 anos, a Academia formou milhares de alunas e alunos. Mais de 12 mil pessoas foram beneficiadas com bolsas de estudo nesse período. Além da sede da Rua do Rosário, a escola funcionou em outros dois locais do Centro: nas ruas Dr. Colares e Santos Dumont.

Com pouco mais de 30 anos, Genoveva se casou com o também artista plástico Roberto Antunes Pinto. Apesar de sempre se darem muito bem e terem vários gostos em comum, Roberto não era tão acostumado com festas quanto a esposa. “Ela adorava produzir e participar de eventos sociais”, pontua Suzana. Desta união, nasceu seu único filho, Homar. Ele era professor de Direito, escritor e cineasta. Foi assassinado, aos 34 anos em 2004. Em meio à tristeza, ela encontrou forças para tocar a vida e continuar formando artistas até seus 86 anos. Viúva há dois anos, deixa duas irmãs.

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