
Ilson Wruca foi a típica criança que teve de crescer antes do tempo. Curitiboca de raiz, nasceu no bairro Campo Comprido em 29 de julho de 1942. Morava com a mãe, Luiza, o pai, João, e seu irmão mais velho, Nelson. Porém em 1945, ainda com 3 anos de idade, perdeu seu pai em um acidente na mina onde trabalhava – fato que mudaria sua vida da li para frente.
Depois do acidente, Luiza, mãe de Ilson mudou-se para o bairro Portão, junto com a avó de Ilson e seu irmão. Diante da dificuldade financeira em que se encontrava a família, Ilson soube logo cedo o que era ter uma vida responsável. Para ajudar no sustento da casa, começou a trabalhar aos 14 anos como office boy em uma joalheria da cidade até conseguir uma vaga como vendedor numa loja de materiais de construção, profissão que exerceu até se aposentar.
Como qualquer outro jovem da época, Ilson participava dos bailes no bairro em que morava – foi em uma dessas ocasiões que conheceu Ivone, com quem namorou até 1966, quando a pediu em casamento. “Ilson sempre foi muito reservado. É até engraçado de comentar que eu o conheci em um baile. Na época esses tipos de bailes eram bem comuns, foi numa dessas oportunidades em que acabei encontrando ele e mais tarde, casando. Não se vê mais esses bailes hoje em dia, é totalmente diferente de 49 anos atrás”, conta Ivone.
Os anos se passaram e com eles vieram os filhos, quatro no total. Mesmo sem ter a figura paterna durante a infância, Ilson conseguiu criar as crianças com todo amor e carinho que não teve do pai biológico. “Exerceu sua função de pai com louvor, dando uma boa educação, fez seus filhos crescerem no caminho do bem, e hoje isso é passado pra as outras gerações, que já vieram”, explica Lucas, seu neto. Em casa a mesa sempre foi farta, Ilson fazia o possível para dar para sua família o que estava dentro do seu alcance.
Quanto mais tempo passava, mais a família aumentava. Além dos quatro filhos, ganhou cinco netos, para os quais sempre teve tempo para dedicar muito amor e carinho. “Ilson era uma pessoa calma e bastante reclusa. Até nas horas vagas ele buscava ficar com a família. Deixava de sair para dedicar seu tempo aos parentes”, diz Ivone, ao explicar que a característica tornou Ilson um homem com poucos amigos próximos. Para ele a família era o que importava, dedicava 100% do tempo que sobrava a ela.
Nos piores momentos, o olhar de mal humorado era o que predominava no semblante de Ilson, mas mesmo assim sempre deixou as melhores lembranças para o seu círculo familiar. “Um exemplo a ser seguido”, diz Lucas. “Sua missão foi cumprida com louvor. Um homem do bem, de boa índole, honesto, bom pai e bom marido”.
Mesmo quando estava abalado por algum acontecimento, tudo era deixado de lado no momento em que estava perto daqueles a quem amava, exemplo que deixou para seus filhos. “O amor que sentíamos por ele era maior que tudo, e no deixou na lembrança somente coisas boas”. A palavra que definiu sua trajetória é respeito.
Deixa a esposa, Ivone, quatro filhos e cinco netos.







