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lista de falecimentos - 09/11/2015

Jacondino Framesche: o cafeicultor pioneiro de Umuarama

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Foram 60 anos vividos no meio do cafezal. Desde o nascimento numa roça em Maringá até o ano de 2003, quando o café mais produtivo da região deu lugar à pastagem, no sítio onde viveu a maior parte da vida, na Estrada Primavera, em Umuarama. Assim foi a vida de Jacondino Framesche, mais conhecido como “Isaque”, pai do vereador de Umuarama Evamir Antonio Framesche, o Carneiro.

Isaque casou-se no final dos anos 50 co m dona Juraci Santoni e em 1959 mudou-se com a esposa e o primeiro filho (Eder), que acabara de nascer, para ajudar na colonização da região de Umuarama e investir no plantio de café. Ele contava que, quando chegou, era quase tudo mata fechada na região, mas aos poucos as clareiras foram se abrindo e, em pouco tempo, no sítio de Isaque brotavam os primeiros pés de café.

Acostumado a cuidar da plantação desde os tempos dos pais no interior de São Paulo, Isaque cultivava a mesma paixão da família e as terras dele, que chegaram a ter 30 mil pés de café, sempre estiveram entre as mais produtivas e bonitas da região. Isso porque investia em adubação e controle de pragas. Mantinha a roça sempre limpa e reclamava quando algum empregado deixava ainda que apenas um pé de mato (erva daninha) no meio da lavoura.

Na maior parte do tempo, apenas a própria família trabalhou no sítio. Raramente usavam mão de obra externa. A viúva, Juraci, conta que, quando estava grávida do vereador Carneiro, trabalhou na colheita do café até perto da hora do parto. Somente quando o bebê começou a nascer ela foi para casa. Os quatro filhos seguiram na lavoura com o pai, mas depois dos anos 90 o café deixou de ser tão rentável e produtivo. Por isso alguns deles foram trabalhar na cidade. As poucas decepções na vida de Isaque foram as mortes precoces de dois filhos, em acidentes, um de carro e outro de moto.

No ano de 2003, Isaque também resolveu plantar capim e morar na cidade, mas sempre retornava à propriedade, para ver como estava o gado e matar a saudade da comunidade, na qual ele foi um líder comunitário e religioso.

A capela do lugarejo foi construída por ele, no terreno que doou na cabeceira do sítio. Era lá que rezava ou ajudava nas missas e outras celebrações de fim de semana. Ou nas quermesses (festas), que eram comuns nos anos 60, 70 e 80, quando dezenas de famílias residiam na vizinhança. A comemoração sempre foi maior nos dias de Santo Antonio (13 de junho), dia do padroeiro da capela, onde a festa era à moda antiga, com todos os ingredientes das festas juninas.

Os doze anos vividos na cidade foram de tranquilidade para o então ex-cafeicultor. A rotina era conhecida da família. Levantava-se todos os dias antes das 6 horas, preparava o café, mais tarde ia até um bar da esquina para encontrar os amigos, voltava para o almoço às 10 horas, depois dormia um pouco. À tarde voltava ao bar para mais bate-papo e só bebia uma cerveja cedo e outra à tarde. Às 17 horas já estava em casa para jantar e ir dormir. E nos fins de semana gostava de jogar cartas também com os colegas. Não bebia nem cachaça nem outra bebida mais forte. E também não comprava nada fiado. O filho Evamir lembra que ele não tinha dívida, apenas as contas de água e luz que sempre pagava adiantado. Outro lazer preferido era a pescaria em rios da região com os filhos.

Deixa a viúva, Juraci, os filhos Evamir Carneiro e Eder, a neta, Letícia, e o neto, Mateus.

Lista de falecimentos - 09/11/2015

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