
Desde o tempo de menino, Jaime Rudnick sabia que estava ligado à área de exatas. Durante o Ensino Fundamental, na Escola Estadual Xavier da Silva, em Curitiba, o teste vocacional provou que estava certo. Pela manhã, dedicava-se ao ensino regular; à tarde, frequentava as aulas do técnico em Mecânica no Centro de Formação Profissional de Curitiba, hoje o Senai. Na sequência, passou pelo curso no CEFET, atualmente UTFPR, e as especializações.
O interesse pela atividade foi tanto que virou professor de Mecânica de Projetos, no Senai. Chegou a diretor adjunto; aposentou-se em 1995. “Era um orientador nato que buscava soluções, nunca se esquecendo do bom humor”, resume a esposa Noeli.
Os anos como professor renderam boas risadas, histórias, e até uma homenagem, em 1995, de alunos, ex-alunos, funcionários e superiores. Não à toa, o filho Emerson seguiu os passos do pai na área de Projetos.
Mas nem tudo era trabalho. “A vida de Jaime era a casa, o trabalho - muitas vezes com aulas à noite - e a família”. Aos domingos, os almoços ou jantares em família eram os momento de reunir todos. O interesse de Jaime pela gastronomia era o sucesso desses momentos. As feijoadas ou os empadões de palmito ficaram na lembrança de quem participou desse momentos.
De boa paz, era o “maluco beleza”, na opinião da filha Simone. Espirituoso ao extremo, mantinha no rosto o sorriso e a docilidade nos olhos quando conversava com alguém. Jaime não sabia o que era rancor. Mesmo com arroubos aqui ou lá, mantinha-se dentro da filosofia de que rancor era um atraso de vida. Muitos ex-alunos viraram amigos próximos devido à generosidade de Jaime. “Tinha um coração maior do que ele”, comenta o filho Emerson.
A filha Simone recorda-se que o pai sempre foi muito presente. Dos três filhos, dois moravam no mesmo terreno no bairro Hauer. Os cafés da tarde, então, eram certos na casa dos pais. A hora da troca da últimas notícias. Assim como mimava os filhos, “fazia tudo que era de errado com os netos”, conta Simone, rindo. Se não podia dar sorvete para um deles, aí que comprava. O intuito era viver a vida intensamente com seus pequenos. Adorava jogar um carteado de truco, uma taça de vinho e uma tábua de queijos.
A viagem de Bodas de Ouro – que o casal completaria em setembro – fazia parte do sonho de Jaime. Queria conhecer as beleza e as especialidades gastronômicas da França. Mesmo sem ele, a família não abre mão da comemoração. Afinal ele mesmo dizia: “a morte é somente uma passagem. Deixa saudades, mas não tristeza”. Deixa a esposa Noeli; três filhos, Simone, Emerson e Juceli; e três netos.







