
A jovem Jéssica Tomazelli Back, de 20 anos, não era dada a muitos sonhos. Mas um deles tinha como certo cumprir: cursar a faculdade de Educação Física. Não à toa apreciava os exercícios físicos e as suas inúmeras roupas fitness. Era vaidosa ao extremo, conta a irmã Aline. Mantinha o corpo em forma. As curvas eram acentuadas pelas roupas curtas e coloridas.
Diante de tanta alegria e fulgor próprio da juventude, Jéssica, nos últimos tempos, vivia um período em que o importante era aproveitar a vida – mesmo com o medo que tinha da morte. Curtiu baladas, fez viagens e deixou as tristezas de lado.
Trabalhava em um salão de cabeleireiros, no Centro Cívico, e divertia-se muito com os amigos, patrões e clientes. Dava-se bem com maquiagens e produções para eventos. Anteriormente, tinha trabalhado como vendedora e balconista em duas lojas de um shopping próximo. Saiu por causa do corte de gastos por parte das empresas.
Até meses atrás, estava noiva de Maycon, uma relação que durou cinco anos. Mas no rol das “estranhezas” dos últimos tempos, Jéssica resolveu dar fim ao noivado. Mesmo assim, costumava dizer que o noivo tinha marcado muito a sua vida. A irmã lembra do dia em que Jéssica conheceu Maycon. Se “conheceram” pelo Orkut, não tinham coragem de acabar com o mistério. Diante da curiosidade do “face a face”, marcaram um encontro em um shopping. De vela, Aline foi junto. Diferente dos outros dias, Jéssica foi mal vestida –“com calça feia e de tênis” – só para ver o que iria acontecer. E não deu outra: cinco anos de um relacionamento. Durante um ano, a relação se transformou em “namorido”, quando Jéssica foi morar com ele.
Aos 17 anos, a menina descobriu que tinha dois nódulos no seio. Fez cirurgia, recuperou-se e seguiu a vida. Cada um ficou em sua casa. Ela em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba; e ele morando no bairro Portão, em Curitiba.
De Maycon ganhou um grande companheirinho de presente: o Nick, um cachorrinho branco. Depois de muita insistência em querer adotar o animal que o namorado tinha, Maycon chegou certo dia com a jaqueta suja e uma “bolinha de pelos”. Avisou que aquele era o irmãozinho do seu pet. Sempre quando Jéssica estava em casa, Nick estava correndo atrás dela ou aos seus pés.
Nos últimos tempos, Jéssica estava mais carinhosa com a mãe. Aprontava, mas quando chegava em casa – e antes de ouvir a ladainha de toda mãe preocupada – corria para um abraço apertado. “Era o seu jeito”, diz a irmã.
Jéssica não era de falar de tristezas, mas Aline a via acordar nas madrugada; muitas vezes estava chorando. Desde que tinha perdido um grande amigo, começou a dizer que a morte a assustava. Em um fim de semana antes de passar mal dentro de casa, Jéssica esteve com amigos. Segundo um deles, ela teria dito que estava pronta para ir; já tinha vivido tudo que precisava. “Como uma despedida”, diz Aline. Na sequência, deu um sorriso para confirmar a alegria de ter vivido do seu jeito, da sua forma. Deixa a mãe Marinalva e as irmãs Aline e Sandy.







