
Os 45 anos de casamento entre João Carlos de Lima Bueno e Mirian Bueno foram embalados pela música Aquellos Ojos Verdes, interpretada por Ray Conniff. “Aqueles olhos verdes calmos como um lago, cujas águas paradas um dia eu olhei” refletiam a cor dos olhos de sua “italiana”, como chamava a esposa. “Era uma coisa linda de ver o amor que mantinham um pelo outro”, comenta a filha Thatiana. Quando o pai tirava o dia para limpar os LPs antigos – o acervo reunia cerca de 120 vinis –, Ray Conniff era um dos muitos ouvidos. Seu gosto musical ia de bandas de rock, como AC&DC e Iron Maden, a Elvis Presley e Michael Jackson.
João era eclético no que diz respeito à música, mas não quanto ao futebol. Era apaixonado por um time só: o Coritiba. Coxa branca dos “roxos”, era um fiel torcedor, daqueles que não perdem um jogo. “Desde pequena, acompanhei meu pai durante os campeonatos”, conta a filha. Se João Carlos não comprava bilhete para assistir às partidas no Couto Pereira, ouvia o jogo pelo radinho. Conforme o desempenho do Alviverde, o humor do pai oscilava, brinca Thatiana.
Os três filhos e sua “italiana” eram tudo em sua vida. Talvez porque não havia tido uma família, até então, para chamar de sua. De origem humilde, João Carlos nasceu prematuro na época do pós-guerra, em 1946. Sem incubadora na época, a mãe o deixou em um berço com uma garrafa de água quente para mantê-lo aquecido e vivo. “Já nasceu um guerreiro”, lembra a filha. A mãe morreu quando ele ainda era pequenino e o padrasto sumiu. O menino, então, foi morar com a madrinha, Lucinda Beltrão, no bairro São Francisco, bem próximo do Cemitério Municipal. Viveu a infância e adolescência na região.
O que quebrava a rotina eram os eventos que participava com a “Turma da Pracinha”, adolescentes do bairro que faziam e aconteciam. Em uma das ocasiões, João contou para os filhos que, durante uma festa de debutantes, ele e os amigos acabaram dentro de uma das banheiras da residência.
Aos 13 anos, assumiu a função de entregador de medicamentos em uma farmácia do bairro. Por volta dos 17 anos, aceitou o trabalho como câmera no antigo Canal 12. Ao chegar à idade de servir à pátria, foi voluntário por dois anos na Aeronáutica.
Conheceu Mirian, aluna da Escola Normal João Macedo Filho, por volta dos 20 anos, e ficou encantado por aqueles olhos verdes. Diariamente, depois da saída do emprego, ele a esperava em frente à escola. A troca de olhares resultou no namoro no portão e, finalmente, em casamento, em 1970.
Com o início de uma família, João Carlos prestou concurso para a Telepar, como técnico em comunicações. Mirian tornou-se professora municipal e os sonhos se uniram para concretizar a compra do primeiro apartamento e o bem-estar da família. Depois de duas décadas, saiu da estatal e resolveu seguir por conta própria. Encontrou na cozinha industrial seu mercado. Realizava projetos, montagem e manutenções para diversos restaurantes – principalmente para os localizados na Rua Mateus Leme. O perfil ajudou nos negócios, era falante e “conhecia todo mundo”, conta a filha.
Atualmente, vivia no sossego de uma área residencial em Campo Largo. A casa tinha fundos com o Rio Passaúna, o que o deixava encantado. Ouvia o canto dos passarinhos, mexia nas plantas ornamentais e flores cultivadas no bonito quintal e curtia a vida. Deixa a esposa Mirian, os filhos Marco, Ana Paula e Thatiana, e cinco netos.
Dia 4 de março, aos 68 anos, de parada cardiorrespiratoria, em Curitiba.
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