
Por 9 anos, João Fernando Saddock Pereira atuou na Comissão de Vítimas de Crimes e Segurança Pública da OAB. De 2007 a 2013, foi presidente e, atualmente, participava como membro consultor. O filho, que também se chama João Fernando, conta que o pai se inquietava muito com a violência e buscava a justiça. Para ele, as leis deveriam existir para todos e lutava pela igualdade. “Nada de leis para pobres e leis e privilégios para ricos.”
Em 2009, Pereira participou da edição de textos escritos por advogados sobre o tema que virou o livro A Defesa dos Direitos das Vítimas de Crime. A coletânea trata sobre a legalidade frente à violência e à justiça, e apresenta um estudo crítico sobre a natureza do crime na sociedade.
Filho do humorista, diretor artístico e apresentador da Rádio Clube Paranaense (PRB-2), Mano Bastos, Pereira era o oposto do pai em personalidade. “Era da linha dura e extremamente ético e moral intocável”, lembra o filho. Era pessoa de poucos amigos, mas era fiel aos que tinha mantinha. Não tinha horário para atender os clientes. Também não se importava quando alguém precisava de sua ajuda profissional, mas não podia pagar os honorários. Era conciliador no Juizado Civil. “Sem remuneração, ajudava pelo dever de cidadão”. Uma vez por mês, ia até Matinhos, no Litoral do Paraná, para atuar como juiz leigo. Muito conhecido por essas atitudes do bem, foi candidato a vereador em 1992.
A carreira e a família eram seus maiores interesses. Aprendeu cedo a ter responsabilidades. Aos 15 anos, assumiu o cuidado da mãe que tinha esclerose múltipla. “O filho cuidou mais do que foi cuidado”, constata João Fernando. Quando trabalhou na empresa de telecomunicação Equitel, usou os recursos para financiar a faculdade de Direito. Formou-se em 1987 pela Pontifícia Universidade Católica. Foi trabalhar com as irmãs, Ana e Inês que mantinham um escritório de advocacia. Tinha preferência pelas áreas criminal e cível.
Costumava dizer que o direito criminal tinha “surgido em seu caminho”. Criticava os direitos humanos no sentido de olhar somente a situação do preso e não o todo. Para ele, era preciso defender as pessoas que precisavam realmente ser defendidas. “Era contra as discrepâncias”, diz o filho.
O ambiente de delegacia era praticamente o “jardim de casa”. O filho João Fernando, que o acompanhava durante as visitas aos distritos policiais desde pequeno, lembra das vezes que tomou café no 7.º DP, no Hauer. Certa vez, o pai o levou até as celas e o colocou lá dentro. A frase “quem faz coisa errada vem para cá”, ainda se mantém na lembrança. Assim, quando o filho optou em cursar Publicidade e Propaganda e não Direito como ele queria, foi uma tristeza. Ficou um ano sem falar com João. Depois, entendeu que o filho precisava seguir seu caminho.
No campo futebolístico, formou-se um “Atletiba familiar”. Coxa branca roxo, Pereira costumava acompanhar o filho atleticano aos estádios. “Dia de jogo saíamos abraçados, cada um com a sua camiseta do time”. Eram os únicos momentos que se permitia estar no agito. Do contrário, ficava feliz quando estava em família. Nos últimos meses, estava contente com o noivado do filho. A nora Martina era como uma filha. Seu maior desejo era ter um neto.
Um cidadão sempre atento, ficou empolgado ao saber que os moradores tinham lhe indicado como candidato ao Conselho de Segurança do Hauer. Deixa a esposa Jocerlei, o filho João Fernando, e a nora Martina.







