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lista de falecimentos - 08/08/2015

Jorge Brandalize: o bom humor e os causos de um advogado que gostava de ajudar

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Jorge Brandalize conseguiu aliar trabalho, família, amigos, lazer e espiritualidade – o que é um grande desafio para qualquer pessoa. Durante os 76 anos que viveu, colheu os frutos de uma vida de dedicação, amor, amizade e muito trabalho. Jorginho, como era carinhosamente chamado, foi um ser humano simples e completo. Compreendeu que é na simplicidade que estão as verdadeiras alegrias da vida, as quais para ele estavam representadas no convívio com os seus, na cozinha, nas piadas ou ainda na ajudando a alguém. Tudo o que se dispôs a fazer, realizava com maestria. E por isso deixou muitos admiradores.

Nascido em setembro de 1938, no distrito de Rio Preto, no município de Irati, mudou para Londrina aos 14 anos. A cidade no Norte do estado tinha apenas 18 anos. Logo que chegou, trabalhou na famosa fábrica de doces Delícia, que era do cunhado e também pioneiro Augusto Nery de Lima. Pouco tempo depois, aprendeu o oficio de alfaiate e se dedicou à profissão até o início da década de 1970. Foi um exímio alfaiate e, mesmo depois de deixar o ofício, gostava de voltar à sua antiga máquina de costura Elgin e fazer as próprias camisas sociais.

Trabalhou na empresa Planorte – do ex-governador José Richa – ainda na década de 70. Nos anos seguintes, em 1980, concluiu o curso de Direito na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Passou a se dedicar à profissão de advogado e por meio dela ajudou muita gente. “Meu pai mudou a vida de muita gente para melhor. A família ficou sabendo de uns caso só agora”, conta a filha Claudia Brandalize. Por quase 20 anos trabalhou voluntariamente na OAB-Londrina. Desde 1998 ocupava cargos na entidade. Foi vice-presidente por uma gestão e conselheiro por outras duas. Também foi conselheiro estadual e membro da 7ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da seccional. Foram quase 30 anos nas áreas do Direito Civil e Imobiliário. Atuou ainda como professor de oratória e de comércio exterior.

Católico, religioso, casado por 52 anos com dona Maria José, foi membro atuante de movimentos da igreja e ensinou para os cinco filhos lições de honestidade e generosidade. “Jamais negue um prato de comida”, dizia. Certa vez, escreveu junto com uma das sobrinhas uma oração e mais tarde revelou a ela que fazia todos os dias aquela prece por seus amigos.

Também gostava de tomar um uísque, “uns gorós”, como ele chamava. Bem-humorado, foi um excelente contador de casos engraçados e piadas. Mas, além de contar, Branda – outro de seus apelidos –fez o mais importante: viveu boas histórias. O advogado Geraldo Guariente, um dos amigos, conta que Brandalize brincou com o garçom dizendo que o atendente tinha um “coração duro”. A passagem ocorreu na última viagem que fizeram juntos para Curitiba. O resultado? Ganhou quase o dobro da dose de uísque.

Tinha fama de “roncador”. “Ele era famoso por não deixar ninguém dormir”, conta outro amigo, Alceu Malucelli Junior. Em outra viagem para a capital paranaense, Brandalize até que tentou poupá-lo na hora de fazer o check in no hotel: “é melhor pegar dois apartamentos porque eu ronco um pouco”, avisou. Mas Alceu não levou a sério e ficou uma noite sem dormir. “Eu te avisei que roncava. Quis economizar um apartamento? Bem feito!”, disse antes de cair na gargalhada.

O advogado sofreu um AVC em fevereiro deste ano e desde então estava se recuperando. Faleceu em 14 de julho no Hospital do Coração, local onde estava internado. Deixa esposa, quatro filhos, cinco netos e muitos amigos.

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