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Lista de falecimentos 02/052015

José Cirino de Quadros: bom humor para encarar as situações complicadas da vida

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Em 1966, o gaúcho José Cirino de Quadros desembarcou em Cascavel em busca de novas oportunidades. Filho de agricultores, o torcedor do Internacional chegou ao Oeste paranaense com a mulher Irene e o primeiro filho, Edson. O primogênito nasceu no Rio Grande do Sul. A intenção era trabalhar com agricultura, profissão que herdou do pai, mas exerceu diversas atividades profissionais.

Quando criança, caminhava longas distâncias para aprender a ler e escrever, numa época em que cadernos eram artigos de luxo. Na fase adulta percebeu que a luta seria bem maior do que o sonho de uma vida próspera em solo gaúcho para conquistar uma vida financeira estável para a família. Decidiu mudar para o Paraná e recomeçar a vida.

Inicialmente se instalou na Colônia Melissa, em 1966, mas não ficou muito tempo na comunidade rural. Depois mudou para Corbélia, onde trabalhou como vigia e aprendeu a profissão de carpinteiro. Ajudou a construir muitas escolas em diversas cidades da região Oeste do Paraná. Também atuou em serrarias.

A vida melhor na nova terra parecia distante e, desanimado, José Cirino retornou para o Rio Grande do Sul, mas não por muito tempo. As coisas não saíram como ele imaginava e resolver seguir novamente para o Paraná. Teve uma passagem pelo Mato Grosso do Sul e, em 1973, fixou residência de vez em Cascavel. Trabalhou no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e foi inspetor de alunos no Senac e no antigo Colégio Polivalente.

Contava sempre a história de que certa vez um temporal atingiu uma serraria em que trabalhava e carregou o telhado. Com a chuva forte, ele e os colegas foram obrigados a se abrigar em baixo de um caminhão. Tentavam se proteger dos estilhaços do barracão que era levado pelo vento.

As dificuldades enfrentadas nunca tiraram o bom humor do gaúcho. Ele só não aceitava interferência quando estava assistindo a um jogo do Colorado. Fora isso, levava tudo com leveza, até mesmo as pequenas discussões com dona Irene. Quando isso acontecia, pegava uma velha máquina de escrever e dizia que iria embora de casa. Fazia uma visita à casa do filho e pouco tempo depois retornava com a máquina debaixo do braço. O objeto foi um presente que deu ao filho mais velho quando ele concluiu o curso de datilografia, mas José Cirino se afeiçoou ao equipamento.

Sempre muito leal, chegou até a comprar briga para defender um amigo que sofria de crises de epilepsia. O caso acabou na Justiça. Uma mulher que não conhecia o amigo, jogou água nele. Ele estava deitado no portão da casa dela por causa de uma crise. José Cirino tentou argumentar, mas não a convenceu e ele foi obrigado a impedir que ela continuasse agredindo o amigo. A mulher registrou queixa contra ele, mas depois entraram em um acordo para que o processo fosse retirado. A briga judicial se transformou em uma amizade posteriormente.

Mesmo com dificuldades de locomoção ocasionadas pelo diabetes, não deixava de percorrer as ruas e avenidas de Cascavel. O filho Edson conta que certa vez percebeu que havia uma fila de carros na rua e à frente seguia um caminhão, o qual trafegava bem lentamente. Quando a fila passou, ele percebeu o motivo do congestionamento: seu pai estava à frente do veículo “dirigindo” sua cadeira de rodas e segurando o trânsito. Quando chegou próximo de casa, ele conduziu-a para fora da pista, normalmente, como se estivesse manobrando um carro. Vivia prometendo “trocar” a cadeira de rodas por uma motocicleta.

Além de ser diabético, tinha problemas cardíacos. A saúde piorou nas últimas semanas e José Cirino faleceu,aos 76 anos, no Hospital Dr. Lima, em Cascavel, em 15 de abril. Foi sepultado no Cemitério Central de Cascavel. Deixa a esposa Irene e os filhos Edson, Erlei e Vanderlei, Cidinei e Volnei, além de seis netos e dois bisnetos.

Dia 15 de abril, aos 76 anos, de problemas cardíacos, em Cascavel.

Lista de falecimentos - 02/05/2015

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