Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Lista de falecimentos - 18/08/2015

José Patrício Filho: do café às máquinas

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

O mineiro José Patrício Filho nasceu no interior de Muriaé, se criou em Presidente Prudente (SP) e veio morar no Norte Pioneiro do Paraná aos 27 anos. Mantinha a simplicidade, a quietude e a hospitalidade em seu jeito de ser. Jogar truco, tomar cachaça e fumar palheiro na soleira da porta de casa eram suas preferências para o descanso de todo o dia.

Sempre lidou com a terra. Por anos e anos foi o rezador do terço em sua comunidade. Entre um ditado e outro, Zé era convidado para apadrinhar uma criança, fazer uma novena ou “rezar o morto”. Era bem quisto e um exemplo nas localidades em que viveu com a esposa, Maria.

A trajetória foi longa até chegar finalmente a Arapongas, em 1977. Antes disso, as terras férteis do Paraná lhe foram apresentadas em Bentópolis, distrito de Guaraci, no Norte do estado. Nesse época, José Carlos, o segundo de seis filhos, tinha apenas três meses. José Patrício deixou o trabalho em uma serraria em São Paulo para se aventura nas plantações de café. “Veio com a gana de ganhar dinheiro e construir algo para a família”, conta o o filho.

Mas enfrentaram poucos e boas. Só não passaram fome porque a família comia serralha – uma espécie de planta que nasce embaixo do pé de café – somada ao prato de polenta. Para diversificar a alimentação, havia o abacate com açúcar. O leite dos meninos vinha de uma cabrita que conseguiu em troca do rádio a pilha – único meio de comunicação com o mundo.

De Bentópolis passaram por Munhoz de Mello e Marilândia do Sul. E o trabalho na lavoura do café continuava dando o sustento à família. Mas veio a Geada Negra, em 1975, que matou os cafezais e causou uma grande crise. O pequeno agricultor teve de aprender a dirigir um trator. Foi para a zona rural de Arapongas, em 1977, e trocou o café pela lavoura branca. Roçava e colhia milho, soja e mamona com a máquina.

Vinte anos depois, em 1997, a família resolveu se mudar para a área urbana do município. Zé fez concurso e conseguiu o cargo de motorista de máquinas da prefeitura. Abriu e fechou buraco, alargou rua, entre outras coisas, até 2006.

As tarefas deram lugares às conversas fiadas e ao hábito de fumar – largou mão do palheiro e aceitou o “comum” por não ser tão forte – beber a cachacinha e jogar truco. Deixa a viúva, seis filhos, 13 netos e dois bisnetos.

Lista de falecimentos - 18/08/2015

Condolências

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.