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lista de falecimentos - 04/06/2015

Jovir Sangaletti: o gaúcho que gostava de jogar cartas no Clube Dom Pedro II

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Dia sim e outro também, o gaúcho Jovir Sangaletti passava as tardes no Clube Dom Pedro II, no bairro Água Verde, em Curitiba. O clube ficava a duas quadras de seu apartamento, próximo da Praça Afonso Botelho – a Praça do Atlético. Seu passatempo era passar horas jogando baralho ou bocha. “Foi um jogador inveterado”, brinca o filho Célio. Mas ele sempre sabia a hora de parar. Orgulhava-se de ter ganho mais do que perdido.

Um dos seus prêmios garantiu a compra de um caminhão. O fato ocorreu quando Jovir resolveu voltar a ser caminhoneiro. Os caminhos foram até alcançar a aposentadoria. Em conversar atuais, quando se lembrava do passado e de casos da juventude, contava detalhes do início de sua trajetória.

Nascido em 1928, no distrito de Charrua, à época pertencente ao município de Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul, desde menino ajudou o pai na lavoura. Eram seis irmãos: dois homens e quatro mulheres. Jovir era o mais velho entre os meninos e era responsável por ajudar o pai. Em dias de geada, muitas vezes seguia o caminho da roça sem os sapatos.

Em 1956, saiu da lavoura e virou representante de uma marca de roupas sob medida. Mas preferiu não ficar no distrito e alçou novos voos. Saiu do estado e abriu uma loja com as roupas masculinas sob medida em Cambará, no Norte do Paraná. O negócio não foi muito bem, conta o filho, e o jeito foi vender o comércio. Com certo orgulho, o pai dizia que com o dinheiro da venda da loja, e mais um pouco que tinha juntado com o jogo, conseguiu comprar o caminhão que o levou a conhecer o Brasil. Já tinha experiência da época que trabalhou na Cervejaria Cerra Malte, no curtume e na fábrica de balas no estado gaúcho. Levou muita madeira que foi usada na construção de Brasília. Cansado, largou o caminhão e conseguiu empregos em concessionárias de veículos. Por fim, tornou-se chefe dos mecânicos em uma loja de máquinas agrícolas.

Anos depois, em 1977, Jovir deu um susto na família. Ficou 18 dias em coma devido a uma meningite. Todos vieram do Rio Grande do Sul para se despedir, mas ele sobreviveu. De todos os irmãos, Jovir foi o último a partir.

Célio recorda-se que o pai sempre apresentou problemas no pulmão. A doença crônica foi causada pelo hábito de fumar por muitos anos e também por um costume da infância e juventude. Jovir colhia as ervas que cresciam em meio ao gramado e ficava mascando. O filho descobriu com os médicos que a tal “azedinha” tem um fungo que causa problemas pulmonares.

Os filhos Carlos e Celso nasceram em Cambará, mas por causa da preocupação com o destino educacional dos filhos, Ivete, então professora estadual, pediu transferência para Curitiba, em 1979. Seria mais perto seguir para São Paulo, mas Ivete não quis saber. Fez as malas e convenceu a família a se mudar para a capital paranaense. Aqui, Ivete chegou a dar aula em várias escolas; Jovir tinha se aposentado por invalidez.

Mesmo com a certa fragilidade, ele não deixou de se divertir. Mas parou de ir com frequência aos bailes; frequentou-os com Ivete durante as quatro décadas de casados. Também não parou de tomar uma cervejinha e um cálice de vinho. Aos domingos, a costela assada na casa do filho Carlos ou os almoços com o filho Célio e os netos eram compromissos certos.

Jovir sentia falta de Ivete, que faleceu em 2003. Quando falava dela, enchia os olhos de lágrimas. Quando podia – sempre pedia para os filhos – ia até o cemitério e deixava flores para a sua amada. Estão juntos novamente desde 25 de maio . Deixa os filhos Carlos e Célio, e os netos Murilo e Renan.

Dia 25 de maio, aos 87 anos, de parada cardiorrespiratória, em Curitiba.

Lista de Falecimentos - 04/06/2015

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