
Com apenas 19 anos, Karen Caroline Modolo tinha a vida toda pela frente e muitos sonhos para tornar realidade. Uma fatalidade, porém, interrompeu essa trajetória. Para a família e os amigos, ficou a lembrança, a saudade e o exemplo. Mesmo tão jovem, Karen colocava amor e dedicação em tudo que fazia. Tinha um bom coração e planejava sempre ajudar aos que mais precisavam.
Nasceu em 1995, em Curitiba, mas passou toda a vida em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana, com a família. Sempre alegre e extrovertida, na infância, gostava de brincar com os primos na rua. “Brincava muito de correr e fazer pinturas. Era uma criança animada”, relembra a mãe, Shirlei Modolo. Desde a escola, demonstrou atenção aos estudos. Além da sala de aula com recursos para alunos com altas habilidades, sempre participou de projetos extracurriculares.
Sonhou em cursar medicina; queria ser voluntária em ONGs e lugares ermos, onde o socorro demora a chegar. “Ela queria ser médica e ir para a Amazônia. O sonho dela era atender as pessoas de lá que mais precisavam”, diz a mãe. Não passou no vestibular para esse curso. Optou pelo bacharelado e licenciatura em Matemática. Ajudaria o mundo de outra forma: como professora.
Ela estudava na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e fazia estágio no colégio Opet. Amava os alunos e cumpria a missão de ensinar com excelência. “O que sempre ouvimos sobre ela foram elogios. Era uma ótima menina”, conta Shirlei, com saudade.
Compromissada com a profissão, Karen demonstrava o mesmo apreço pela espiritualidade. Fazia parte da Comunidade Cristã Nova Vida e aconselhava jovens e adolescentes. Nos fins de semana, costumava participar dos retiros e acampamentos. “Ela orientava os jovens para uma vida de retidão, de acordo com a palavra de Deus”, explica a mãe. Aos domingos, ajudava nos cultos, participava da equipe de louvor.
Além dos estudos e da religião, Karen tinha um cotidiano comum de uma jovem. Saí para passear, gostava de cinema e pizza. Lia a Bíblia e outros livros, como os Jogos Vorazes e as Crônicas de Nárnia. Ouvia música gospel, estudava, pegava o ônibus, estagiava, atualizava as redes sociais... Para o futuro, planejava casamento, marido e filhos pelo caminho.
Não tinha nenhum problema de saúde. Até que, em novembro do ano passado, ela começou a se sentir mal. Descobriram um tumor perto do pulmão. Karen não chegou a tratar o câncer. Esperava a agenda do serviço público de saúde, mas não conseguiu. A universitária precisava consultar um especialista e faria uma biópsia durante o mês de fevereiro. O tumor avançou rápido demais e atingiu outros órgãos. A família ainda tentou uma brecha, para que fosse possível iniciar o tratamento antes, mas já era tarde. “Tínhamos a esperança do tratamento, mas agora sabemos que ela está ao lado de Deus. É o que nos conforta”, lamenta a mãe.
Desde a descoberta da doença, Karen preferia não falar sobre o assunto e não deixava transparecer a preocupação. “Ela também acreditava na cura”, diz. Deixa os pais, dois irmãos, amigos, colegas, a comunidade cristã, professores e alunos.







