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Lista de falecimentos - 27/04/2015

Lenira Silva do Rego Barros: a aluna de Helena Kolody

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Uma boa leitura e uma boa música eram a fórmula para o dia feliz de Lenira Silva do Rego Barros. Seguiu os passos do pai, José Dionísio Silva, que sempre gostou de poesia. Tinha orgulho de ter sido aluna da poetisa Helena Kolody, nos tempos do Grupo Escolar Rio Branco, em Curitiba. Daí o gosto pelos versos. Não tinha vergonha de arriscar-se na escrita e no dedilhar do violão, tal como aprendeu com o pai. Sua música preferida era Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora.

Nasceu em Castro, nos Campos Gerias, e era a quarta de dez irmãos. Não era dada a saudosismos, mas gostava de relembrar bons momentos. E eram muitos. As férias na fazenda Marilândia, na casa do vovô Jerônimo e vovó Sinhá, porém, ocupavam um lugar cativo. Até no jeito de falar, Lenira era puro carinho. Os momentos ao ar livre eram únicos. Tempo que não voltava mais.

Ainda na infância, mudou-se de Castro para Curitiba. Na adolescência foi morar no Rio do Janeiro, no bairro da Urca, com os tios. Dizia que viveu “não no Rio de hoje, mas naquele dos bons tempos”.

Mas quis o destino que voltasse para a capital paranaense. Em um baile de carnaval, no Clube Curitibano, conheceu Alfredo do Rego Barros e não resistiu aos olhares. Encontrou o amor da sua vida e a certeza de que seu lugar era aqui. Casou-se em 1944 e fixou residência na Alameda Julia da Costa, no bairro Bigorrilho.

Era muito religiosa. Atuou como tesoureira quando ocorreu a construção da Igreja de São Francisco de Paula. A filha caçula, Raquel, foi a primeira a inaugurar a pia batismal. Além do trabalho financeiro, deu aulas de catequese e participou ativamente do grupo de casais.

E não parou por aí. Uniu a rotina de dona de casa e mãe com a de estudante universitária. Formou-se em Psicologia, em 1981, aos 60 anos. Nunca clinicou. Fez o curso pelo gosto de conhecer pessoas e histórias.

Anos antes, em 1973, ficou viúva. Seguiu a vida apegando-se às rotinas. Aos sábados, adorava se reunir com as irmãs, suas grandes amigas. Era um compromisso inadiável. Os famosos “cafezinho da tarde” tinham o pão feito em casa de Lenira. Pareciam até um bolo de tão fofinhos e macios.

Lenira sempre se mostrou independente. Chegar com antecedência aos compromissos era uma obrigação para ela. Era a primeira a chegar à feira, na consulta com o médico ou na hora de buscar os netos no colégio. Sempre estava acompanhada das palavras cruzadas “para matar o tempo”.

Mesmo diante dos apelos da família de que parasse de dirigir, Lenira nem dava ouvidos. Com relutância, abandonou a direção aos 89 anos. Só fazia o que queria”, contam os familiares. A docilidade nos relacionamentos era outra de suas marcas. Por onde passava, deixava boas lembranças e pessoas fieis. Ao longo da vida fez muitos amigos. Uma delas foi Jandira, com a qual construiu uma amizade de mais de 50 anos.

Outra vez o destino interferiu na história da paranaense. Como Alfredo, Lenira se despediu no dia 27 de março, 42 anos depois da morte do seu grande amor. Assim como na canção tão especial “Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora. Que não vai embora…” Lenira deu adeus. Deixa os filhos Márcia, Antonio e Silvia; os netos Alfredo, Leonardo, Augusto, Bernardo e Bruno; e os bisnetos Maria Eduarda, Breno, Yago e Felipe.

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