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obituário

Lineu Dante Gasparin: sempre um ombro amigo

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Vivendo em uma era tão dada à tecnologia e dominada pelas conversas monossilábicas, Lineu Dante Gasparin sabia como poucos do valor da presença humana. Um sorriso, um abraço ou um simples aceno. Apesar de ter nascido naquela que é considerada a “capital mais gelada do país”, a frieza não fazia parte do seu cotidiano.

Fiel morador do bairro Água Verde, em Curitiba, desde a infância, viu a região crescer, desenvolver-se e ali cultivou seus laços. Lineu era amigo para todas as horas. Nos papos demorados, emocionava-se com as vitórias, sofria com os fracassos e ficava com um nó na garganta diante de histórias de amor mal resolvidas – mas também vibrava com os finais felizes. Sabia compartilhar, consolar e até silenciar nos momentos em que o silêncio se apresenta como a melhor “palavra”.

Não ostentava um currículo cheio de diplomas, fatos eméritos ou contribuições filantrópicas. Levou, porém, uma vida digna, pautada em valores como a solidariedade e o convívio pacífico. Alheio aos bens materiais e às tentações do consumismo, cultivava os pequenos prazeres do dia a dia, como parar para observar o céu ou apreciar as flores. Sensações que não podem ser compradas nem por um milhão.

No comando de uma pizzaria no bairro onde sempre morou, fez do lugar mais do que um negócio, transformando-o em ponto de encontro. Quer coisa melhor do que um bate-papo com perfume de manjericão? Considerava que os clientes eram seus amigos e não impunha barreira entre o balcão e as mesas.

Mais velho de dois irmãos, perdeu o pai muito cedo e acabou por assumir o papel de “homem” da casa, quando ainda não tinha nem uma década de vida. Talvez aí tenha aflorado seu forte senso de proteção. Apesar disso, Lineu teve uma juventude feliz e saudável.

Com a esposa, Marilda, que conheceu graças a um colega do já desativado Internato Paranaense – e que viria a se tornar seu cunhado –, ficou por mais de meio século. Foram dez anos de namoro e 47 de casamento. “Parceria” é a palavra que define a união. Do encontro, nasceram Cristiane, Silvana e Valéria. São poucos os que podem dizer que têm o pai como melhor amigo e as três filhas dele tiveram essa sorte.

O trato amoroso também foi transmitido para as duas netas, Giovanna e Giuliana. Avô presente, participou muito da vida das garotas. Levava as meninas para passear e era presença constante nos eventos escolares e atividades extracurriculares. Adorava viajar com a família.

Descendente de italianos, Lineu era muito católico. Ia à missa aos domingos e guardava os feriados religiosos. O Natal era a data mais que sagrada. Celebrava o nascimento de Cristo com os familiares reunidos em volta de uma mesa farta. O maior presente era o amor.

Em fevereiro, foi embora de forma repentina, o que pegou a todos de surpresa. No lado esquerdo do peito daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo, ficou um enorme vazio. Deixa a esposa, três filhas e duas netas.

Dia 16 de fevereiro, aos 71 anos, de infarto fulminante, em Curitiba.

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