
Há mais de 50 anos, Lúcia Canteri Breus deixou a casa da família no Centro de Imbituva, nos Campos Gerais, para morar no bairro da Ronda, em Ponta Grossa. Ainda que situado perto da área central da cidade, o imóvel onde viveu os primeiros anos do casamento com José Breus não tinha muito conforto. “Ela contava que, naquela época, a casa era iluminada com lampião e a água vinha de um poço”, lembra a filha Luci.
A história de companheirismo e cumplicidade com o marido começou ainda em Imbituva. Lúcia era filha de um ex-prefeito do município, José Canteri Filho. Na época, o político era famoso por ser o único comerciante da cidade a dispor de um diamante para cortar vidro.
Segundo Luci, a sua mãe, tal como as amigas da mesma idade, era uma moça muito prendada e dedicada às atividades de casa, especialmente à costura. Uma das diversões dessas jovens era assistir aos jogos de futebol que os rapazes promoviam no município. “Foi numa dessas partidas que a minha mãe conheceu meu pai. Ele viajava com a turma dele, de Ponta Grossa, para jogar em Imbituva. A distância não é tão grande – cerca de 40 quilômetros –, mas as viagens eram muito cansativas devido às condições ruins da estrada. Ele chegava ‘quebrado’ aos jogos”, conta a filha, com bom humor.
Durante o velório de Lúcia, Luci foi abordada por uma senhora que fora amiga de sua mãe. “Foi surpreendente. Ela contou que conheceu o marido do mesmo jeito que a minha mãe, e que, quando os jogos terminavam, as duas acompanhavam seus amados até a estação rodoviária de Imbituva ”, conta. Pouco depois do casamento, realizado em Imbituva, Lúcia acompanhou o marido na mudança para Ponta Grossa. Na bagagem, levou o presente que ganhara dos pais: uma máquina de costura e o baú com o seu enxoval. Dele ainda restam algumas peças ainda guardadas, com zelo, pela família.
Depois da temporada no bairro da Ronda, que durou pouco tempo, Lúcia e José Breus se mudaram para a Nova Rússia, perto da Praça Getúlio Vargas, e, mais uma vez, as condições iniciais não foram das mais favoráveis. “Minha mãe chegou a chorar quando viu como era o entorno da nova casa. Havia muito banhado e as ruas eram verdadeiros carreiros”, lembra-se Luci.
No mesmo local, José Breus abriu o moinho Nossa Senhora Aparecida. Mas o casal não silenciou diante das dificuldades. “Meu pai acabou se tornando uma liderança comunitária e cobrava melhorias na região. Ele conseguiu ser ouvido. Hoje, o lugar está bastante urbanizado, mas, no começo, os caminhões tinham que parar a 150 metros de distância do moinho para serem carregados”. Em 1970, a pequena indústria deu lugar a uma mercearia com o mesmo nome: Nossa Senhora Aparecida. A filha conta que Lúcia, além de cuidar da casa, trabalhou muito ajudando o marido nesses dois empreendimentos.
Lúcia também se destacava na cozinha. “Ela fazia uma polenta com frango muito gostosa. Eu já tentei fazer, mas não fica igual. O virado de feijão também era delicioso”.
Católica fervorosa, era uma das mais assíduas frequentadoras das missas e das novenas da Paróquia São José, no bairro que tem o mesmo nome da igreja.
Habilitada desde a década de 1960, Lúcia gostava de dirigir e mais ainda de cuidar dos carros que teve: “o último foi um Fiat Siena 2010, que está com apenas 6 mil quilômetros rodados; era um xodó. Quando saía com ele e chovia, sempre enxugava o veículo no retorno, pois tentava impedir a formação de manchas”.
Viúva de José Breus desde 1994, Lúcia teve uma segunda união, da qual também ficou viúva. Deixa cinco filhos, 12 netos, sete bisnetos e quatro irmãos.
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