
Se fosse necessário descrever a personalidade de Luiz Celso dos Santos Assunção em apenas algumas palavras, o filho Daniel não teria dúvida: um dedicado professor tradicional. Foram 35 anos como professor de Química no Colégio Professor Loureiro Fernandes, no bairro Ahú, em Curitiba. Não era próximo da tecnologia, por isso mantinha o hábito de usar o quadro-negro e o giz.
O curso de Química surgiu por acaso. Frequentou as aulas de Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR) por alguns meses; e, no meio do caminho, se interessou por Química. Deixou a UFPR e migrou para a Pontifícia Universidade Católica. O seu DNA estava impregnado da paixão pela área de Exatas. Em 1978, assumiu como professor do Loureiro Fernandes; entre 1993 a 1994 deu aulas no curso pré-vestibular do Positivo.
Foi professor da ex-esposa, Mariluci, no último ano do Ensino Médio, dos dois filhos que tiveram e do filho dela. Tinha gosto por ensinar. Quando percebia que tinha um aluno em sala de aula com potencial, mas que precisava de ajuda para um curso ou concurso, candidatava-se, voluntariamente, para dar aulas de reforço.
Para gostar das aulas do Professor Lulu – como era chamado pelos alunos –, era preciso gostar do estilo. Ele era muito rígido; buscava a excelência pela disciplina e era avesso às tecnologias usadas na educação. Como diz o filho: “o pai se aposentou na hora certa”. Saiu da escola em 2013, mesmo a contragosto. Recentemente, Luiz Celso tinha passado em um concurso para mudar de nível.
Fora da sala de aula, era uma pessoa brincalhona, mesmo sendo discreto. Luiz Celso contava que alguns alunos desenhavam caricaturas e colavam no muro da escola. Se achavam que o estavam aborrecendo, ao contrário, brincava com o fato. O professor adorava. Recolhia todas e guardava-as como lembrança.
Outra forma de lhe tirar sorrisos ocorria nas ocasiões que reencontrava um ex-aluno e ouvia as novidades profissionais. Se encantava com os novos fatos. Deixa dois filhos e uma neta.






