
Luiz Marcelo Ferreira, ou apenas Marcelo, não sabia se gostava mais de telejornalismo ou de esportes – especialmente de futebol e tênis. E era dessa área o tipo de cobertura que mais gostava de fazer. Mas a reportagem mais marcante de sua carreira de repórter nada teve a ver com raquetes ou redes. “Ele acompanhou desde o início um grupo de pessoas de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, numa viagem ao Litoral do Paraná. Algumas jamais tinham visto o mar na vida e ele pôde registrar esse momento”, lembra a esposa Margareth. A cena está gravada numa fita VHS que a família guarda. “E temos que passar logo para um DVD”, comenta a filha Amanda.
Nascido em 9 de setembro de 1968, em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, ele era o filho caçula de Moacir Luz Ferreira e Carmem Trevisan Ferreira. Ainda pequeno, acompanhou a família na mudança para Ponta Grossa, onde seu pai conseguiu um emprego numa revendedora de veículos. Depois de morarem em alguns outros pontos da cidade, eles acabaram se estabelecendo na Vila Dal Col, no bairro de Uvaranas. Um dos seus melhores amigos da infância era um menino chamado Cândido Neto, que também viria a se tornar repórter de televisão, especializado em esportes.
“As brincadeiras do Marcelo sempre envolviam o jornalismo de alguma forma. O gravador era um dos ‘brinquedos’ preferidos dele”, salienta Margareth. Em 1986, o jovem ingressou na segunda turma de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Focado em associar suas duas maiores paixões – imprensa e esportes –, Marcelo desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso nessa linha. “Logo depois do fim da graduação, ele resolveu apresentar as ideias que tinha em mente para a direção da TV Esplanada, que era afiliada à Band na época, e atualmente é a RPCTV Ponta Grossa. Pouco tempo depois, ele foi contratado como repórter”, afirma a esposa.
Ainda no começo da carreira, ele chegou a trabalhar cerca de quatro meses na TV Naipí, afiliada do SBT, em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado. De volta a Ponta Grossa, ele passou a integrar novamente a equipe da TV Esplanada. Depois que a emissora passou a ser afiliada da Rede Globo, em 1992, ele ainda permaneceu dez anos na empresa. “Ele dizia que jornalista não podia ter medo das condições que ia encarar durante a reportagem. Uma vez ele foi chamado para cobrir um incêndio no Centro de Ponta Grossa e acabou tendo uma pneumonia”, diz Margareth.
Foi durante um show da banda Paralamas do Sucesso no Clube Princesa dos Campos, conhecido como “Clube Verde”, na Festa da Camiseta de 1990, que ele conheceu sua amada. “Nós apenas nos olhamos e já gostamos um do outro. Em três meses noivamos e um ano depois já estávamos casados”, conta Margareth.
A filha mais velha do casal, Hasmin, também acabou se interessando pelo Jornalismo. “Eu trabalhei com o meu pai e ele me cobrava com o mesmo nível de exigência que pedia de toda a equipe”, relata. Marcelo trabalhou ainda em Cascavel, também no Oeste, como repórter da TV Tarobá e do jornal O Paraná. Na mesma cidade, foi professor do curso de Jornalismo da Faculdade Assis Gurgacz (Fag). Nos últimos anos, trabalhou na TV Guará, afiliada do SBT nos Campos Gerais, e na TV Educativa de Ponta Grossa.
Nas horas livres, Marcelo adorava promover churrascos em sua casa para amigos e familiares. “Festa era com ele mesmo. Era um ótimo assador”, observa Margareth. Mesmo lutando contra a diabetes e outros problemas sérios de saúde há algum tempo, ele nunca perdia a disposição. Deixa a esposa, três filhas e uma irmã.
Dia 30 de março, aos 46 anos, de complicações de um problema hepático, em Ponta Grossa.
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