Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Lista de falecimentos - 11/05/2015

Marcos José Ferreira Filho: em busca da união para trazer a cura

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Certo dia, Marcos José Ferreira Filho resolveu escrever a sua história. Era uma das formas de perpetuar as experiências boas e as ruins vividas durante os seus 25 anos de vida. Para o relato detalhista – com nome e datas –, Marquinhos, como era conhecido por quase todos, contou com a ajuda do pai, Marcão. Para ele, o filho era simplesmente o Zé. O primeiro capítulo surgiu aos 11 anos, quando o menino franzino soube do pai que era adotado. Prontamente, com a sabedoria infantil, o filho do coração para o casal Marco e Eliete respondeu que nada mudaria com a informação. Quis o destino, no entanto, que essa parte da narrativa se tornasse de suma importância.

Com uma infância tranquila, Marquinhos tinha uma necessidade de movimento. Era raro vê-lo parado. Muito cedo se interessou por esportes na escola. Fez escolinhas de futebol, de basquete e handebol. Ele dizia que nunca tinha sido bom porque era muito magrinho. Acabava se machucando ou ficando na reserva. Aos 15 anos, descobriu a paixão pela musculação e não parou mais. No meio do caminho, ganhou uma irmã, Mariana.

No relato, Marquinhos lembra-se da alegria ao ver o corpo mudar aos poucos e de perceber que os “quadradinhos” começavam a aparecer na barriga. Queria cursar Educação Física. “2006 foi um ano tenso. Muito estudo e cobrança da minha parte”, escreveu ele. A determinação fez com que conseguisse entrar na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em dois anos de curso, ele já trabalhava como estagiário em uma academia e realizava os seus treinos. Mas o estudante descobriu que o cansaço que achava sentir pelo ritmo intenso, na verdade, era causado por uma doença: Leucemia Linfóide Aguda. “Quando o médico me explicou do que se tratava, a ficha caiu e com isso as lágrimas.”

Foram sete anos de luta, conta o pai. Entre eles, a liberação dos médicos, em 2011, para retomar a vida normalmente; e o retorno do câncer, em 2014. “Saí do consultório. Me sentei em uma cadeira e refleti. Mas uma vez me encontrava nesta caminhada. Mas de uma forma diferente. Mais maduro, experiente e consciente do que viria pela frente”, continua o relato do diário. Foi nesse momento que Marquinhos resolveu documentar as memórias também em vídeos e fotos. “Sempre manteve a esperança”, afirma Marcão. Para o filho, o diagnóstico não era um atestado de óbito.

Manteve-se em sua profissão e fazia atendimentos como personal trainer. O sonho de trabalhar em uma grande academia tinha conseguido realizar. O próximo passo era dar consultoria para quem estivesse interessado em abrir um desses espaços. Mesmo sabendo estava doente, quando o assunto era a morte, Marquinhos nunca demonstrou ter medo. Muito dessa confiança vinha graças ao médico hematologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, Eurípedes Ferreira – o vovô Eurípedes, como Marquinhos o chamava carinhosamente. “Transcendia o relacionamento de médico e paciente.”

A solução seria o transplante de medula; a luta era contra o relógio. “... Me lancei em uma campanha para cadastro de doadores de medula; segui na caminhada com entrevistas e reportagens a respeito do assunto e, a partir daí, sentimos o aumento no número de doadores”. Era preciso pensar em encontrar o doador compatível.

Foi então que surgiu a questão da busca da mãe biológica, Maria José. “24 anos depois, reatamos os laços”. Com os exames, foi descoberto que a mãe biológica tinha 50% de compatibilidade e que não havia sido encontrado nenhum outro doador equivalente ao tipo de medula de Marquinhos. Em outubro de 2014, o transplante de medula foi realizado. O rapaz saiu do hospital; mas voltou a ser internado em abril e não resistiu.

Fica a mensagem: “lutar por três vezes contra um câncer em sete anos me fez perceber que devemos focar no caminho a ser trilhado, e não no final da linha.” E a campanha continua em #auniaotrazacura – portal com informações sobre a doação de medula óssea, campanhas e eventos de cadastros de doadores, doações de sangue e apoio aos pacientes de neoplasias. Deixa os pais Eliete e Marco, e a irmã Mariana.

Lista de falecimentos - 11/05/2015

Condolências

Deixe uma homenagem a um dos falecidos

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.