Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Lista de falecimentos - 18/07/2015

Maria Felicidade da Silva Machado: as lições de vida da mãe e da professora

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Uma mulher chamada Maria Felicidade só poderia mesmo ser uma guerreira, mãe atenciosa e avó sempre pronta para um passeio. É assim que a família descreve Maria Felicidade da Silva Machado. A ponta-grossense nasceu em 7 de maio de 1931. Foi dona de casa, professora, diretora de escola e também adorava atividades artísticas.

Aos 16 anos, Maria se casou com Vicente Correia Machado, trabalhador ferroviário. O casal teve dez filhos: sete homens e três mulheres. Maria se viu desafiada pela vida quando ficou viúva, aos 42 anos. Com apenas uma filha já casada, e os demais ainda pequenos – o mais novo tinha apenas 2 anos –, lutou para sustentar a família. Com o incentivo dos pais, conseguiu dedicar tempo aos estudos. Completou o Ensino Fundamental e o Médio e também se formar em Letras/Francês na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em 1978.

Antes de concluir a graduação, trabalhou em uma escola na Vila Rio Branco e dava aulas para crianças carentes. Segundo a filha mais velha, Ana Maria, Maria Felicidade fazia a merenda na própria casa e levava para os alunos. “Ia para a escola carregando panela de sopa”, conta.

Após concluir a faculdade, passou em um concurso em Teixeira Soares e meses depois foi contratada pelo Colégio Estadual Padre Carlos Zelesny, em Ponta Grossa. Um novo desafio profissional surgiria na vida da professora em 1982: assumiu a direção da escola. Ficou à frente da instituição por 15 anos, sempre pensando em melhorias. Instituiu o antigo ginásio, período de 5ª a 8ª série, em 1984, e também fundou a biblioteca da escola.

Maria adorava dar um passeio no Litoral do Paraná com os netos. Todos embarcavam no Corcel prateado da avó e iam para a estrada. “Ela pegava as crianças para viajar e não importava o horário. A praia era a maior felicidade para ela. Ela gostava de tomar caldo de cana no Litoral. Foi uma avó fantástica”, conta a filha.

Envolvida com as conferências vicentinas, Maria Felicidade também dedicava parte do seu tempo aos trabalhos de caridade.

Mesmo após a aposentadoria, a professora não deixou a educação de lado. Fez parte da Universidade Aberta para a Terceira Idade (Uati), programa da UEPG. Para os filhos, Maria Felicidade deixou o legado de uma guerreira. “Educou os filhos sozinha e teve que batalhar. Só nos dava bons exemplos. Na escola, dava duro para a gente ir para frente, tomava tabuada e questionário. Foi pai e mãe”, diz Ana Maria.

Aos 74 anos, Maria recebeu o diagnóstico de Alzheimer e recentemente lutava contra as complicações da doença. A professora aposentada morava com um dos filhos e todos se dividiam como podiam nos cuidados com a mãe.

A numerosa família Machado é tão unida que tem até um hino, escrito por um dos netos de dona Maria, e uma camiseta oficial. No enterro de Maria Felicidade, todos cantaram juntos uma das músicas favoritas de Maria: Baile da Saudade. A canção é um recado de amor e boas lembranças. “Ai que saudade tenho dos bailes de outrora, das valsas bem rodadas de Branca e de Aurora. Das rondas e serestas nas noites de lua, dos jovens namorados aos pares na rua. Já não se dançam mais estas valsas tão lindas. A falta que nos faz, que lembranças infindas, evocação divina da lira sonora. O baile da saudade dançamos agora”, diz um trecho da canção. Deixa dez filhos, 27 netos e 11 bisnetos.

Lista de falecimentos - 18/07/2015

Condolências

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.