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obituário

Maria Putrique Bizzon: a devoção a Nossa Senhora do Rocio

 | Arquivo pessoal
(Foto: Arquivo pessoal)

Dona Mariquinha, como era conhecida Maria Putrique Bizzon, era uma devota fervorosa de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Paraná. Nasceu e viveu na cidade de Paranaguá, local onde fica o Santuário do Rocio, e isso facilitou o amor pela santa. Para fazer seus pedidos e agradecimentos, frequentava o novenário e participava da tradicional procissão, que acontece dia 15 de novembro há mais de 200 anos.

Há cinco anos, o acúmulo de alguns problemas de saúde – câncer de mama e um Acidente Vascular Cerebral (AVC) – deram novo ânimo à fé de Mariquinha. “Com os problemas que ela teve, continuar bem era claramente uma graça”, relata a filha, Alessandra Putrique Rodrigues. Em 2013, mesmo com a saúde mais debilitada, fez questão de participar da procissão. No trajeto, não se sentiu bem e foi socorrida pela ambulância. Dias depois, estava de volta com todo o ardor que lhe era característico. No ano seguinte, achou melhor acompanhar a procissão de carro, junto com a filha.

Do tipo que não parava quieta, “tinha a personalidade muito forte”, garante Alessandra, e ficava brava quando alguém tentava tirar sua razão. Quebrou o braço duas vezes nos últimos dois anos. A primeira vez, em 2013, quando sofreu um pequeno acidente usando uma cadeira de escritório. E a segunda em 2015, quando caiu e quebrou o cotovelo. “Ela estava se recuperando muito bem e disse que ia levar a tipoia dela para o santuário, para agradecer”, conta a filha.

Até os 65 anos morava sozinha e longe dos filhos. Durante as noites, aproveitava para ir aos bailes da cidade com as amigas que moravam no mesmo bairro. O gosto pela dança veio de quando era moça. Antes de se casar, Mariquinha pulava a janela de casa e saía escondida dos pais para se divertir. Teve vários namorados até encontrar o marido, com quem ficou casada por 22 anos. Depois de divorciada, voltou para os bailes – e para os namorados. Mais tarde, foi morar ao lado da casa da filha, onde ficava mais fácil ser “cuidada”.

Avó de três netos, fazia de tudo para agradar. “Se ela tivesse mais dinheiro, acho que dava presente todo dia pra nós”, lembra a neta Natália. Entre as guloseimas que a vovó fazia, estava o tradicional frango com polenta, mas tinha também as crispelas e os bolinhos de banana da terra. Também na companhia dos netos, gostava de assistir à televisão. Os filmes do Mazzaropi eram seus prediletos. Os médicos sempre recomendavam que ela fizesse caminhadas, mas ela preferia a tevê, por isso, sempre tinha alguém da família disposto a caminhar junto com Mariquinha.

Como não teve estudo, decidiu incentivar os filhos para que buscassem aprender tudo o que pudessem. Na hora que as crianças precisavam fazer as tarefas de casa, ela “se encontrava” nas atividades de Educação Artística. Mais tarde, fez algumas aulas para aprender a ler e escrever e aprendeu um pouco com os netos também.

Desde criança, Mariquinha convivia com a bronquite. Vira e mexe precisava passar uns dias no hospital para se recuperar das crises. Em outubro, teve a última crise. Depois de passar mais uns dias internada, sofreu um novo AVC e não resistiu.

Deixa dois filhos, três netos, genro, nora, irmãos e cunhados.

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