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Lista de falecimentos - 31/05/2015

Marieta Ivone Foggiato Valente: uma professora e a sua missão

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Uma viagem de bonde, entre os bairro Bacacheri e o Centro de Curitiba, seria a deixa para o início do relacionamento entre Marieta Ivone Foggiato e Bernardo Wolff Valente transformar-se em um casamento de quase cinco décadas. No começo da década de 1940, a normalista do Grupo Professor Brandão encontrou o olhar do funcionário da Matte Leão. Eles eram usuários da mesma linha de transporte.

Os encontros eram contados e recontados por Bernardo com a alegria de uma novidade e os risos entre a família. Roberto, um dos filhos do casal, relembra a cena: Marieta Ivone entrou no bonde na altura da Rua Mauá e foi passar pela roleta, mas Bernardo se adiantou e disse que pagaria a tarifa. Mas a nota com valor alto impossibilitou o troco, o que levou Marieta a pagar as duas passagens –a dela e a do candidato a galanteador. Esse fato motivou a aproximação e o resultado foi o casamento, em 1945.

Eles uniram o interesse pelas artes e pela espiritualidade. O pai de Marieta, Victorio Lourenço Foggiato, foi o responsável pela fundação de duas sociedades recreativas em Curitiba: a Beneficente Estrela da Manhã, no Edifício Delta – onde atualmente funciona o prédio da prefeitura–, e a Sociedade União Cultural Ahú, conhecida atualmente como Urca. Além das atividades sociais, a família de Marieta buscou incentivar a prática de esportes. A caçula chegou a ser uma exímia jogadora de basquete.

Do lado de Bernardo, a família era formada por músicos. O irmão, Hilton Valente, foi um grande compositor. Roberto recorda-se das festas, principalmente nas noites de Natal, que se estendiam até a madrugada. Sempre com muita música, comida e alegria.

Quanto à religiosidade, Marieta era católica até o casamento e foi “Filha de Maria”. Costumava reunir os vizinhos para orações em grupo. Mas após a união com Bernardo, que era de uma família espírita, ela foi assimilando essa religião. Liam o Evangelho Segundo o Espiritismo em casa, mas também frequentavam as novenas no Santuário do Perpétuo Socorro, no bairro Alto da Glória, em Curitiba. Marieta entendia que o importante era buscar o bem das pessoas.

E foi como professora que alcançou a sua missão. Por anos, atuou como educadora no Grupo Escolar Aline Picheth, que atualmente é escola estadual, no Ahú. Lecionava para os alunos do 3.º ano do Ensino Fundamental. Assumiu o cargo de diretora e permaneceu na função por quase duas décadas. Aposentou-se por volta dos 60 anos. Sempre ativa, em muitos momentos Marieta foi à Secretaria de Estado da Educação para reivindicar melhorias para a educação pública. Assim como a mãe, as duas filhas, Maria Ivonete e Maria Cristine, também se tornaram professores e foram dar aulas na mesma escola. Roberto conta que desde menino viu a mãe e das irmãs falando sobre o universo da educação. A dedicação à profissão também era vista fora do ambiente escolar. Aos fins de semana sempre havia pilhas de cadernos para corrigir.

Marieta era exigente. Não aceitava que ninguém não aprendesse ou que não tivesse oportunidades. Incentivou os seus alunos a somar a educação formal ao uso da estrutura social e esportiva da Sociedade União Cultural Ahú. Também era considerada uma mãe com as pessoas que trabalhavam ao seu lado. Além de propor aulas em casa, também cuidava dos namoros com olhos atentos.

Na opinião do filho, a mãe era como uma árvore frondosa em que tudo nascia. Era alegre, mas não exageradamente falante. Os genros de Marieta tinham por ela um amor de mãe. Era a pessoa observadora que valorizava a união da família e o encontro com os amigos. “Era incansável em receber em sua casa”, lembra-se Roberto. Ninguém saía sem um lanchinho. A mesa com café e bolo sempre estavam à espera de uma visita. Depois da aposentadoria, costuma reunir grupos semanais. Havia o das professores, das amigas de infância e o da família. Os encontros serviam para a troca de novidades e para a mostra dos trabalhos artesanais. Marieta era exímia com as agulhas de crochê e com os bordado em ponto cruz.

Uma queda ocasionou uma fraturar na bacia e Marieta foi ficando mais dependente e fraca. Em 22 de maio, ela acordou e pediu beijos para a cuidadora, Zilda. Depois de um “monte” deles, Marieta avisou que elas já poderiam ir embora. Sabendo da intenção, a cuidadora respondeu que não poderia partir. “Então vou sozinha”, disse a educadora. Fechou os olhos e deu adeus a essa vida. Viúva desde 1994, a vida quis que Marieta partisse ao encontro de Bernardo no mesmo dia da despedida do marido. Ela se foi de uma forma calma e afetuosa. Deixa os filhos Maria Ivonete, Maria Cristine, Roberto e Renato, 11 netos e quatro bisnetos.

Lista de falecimentos 31/05/2015

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