
Mário Dilceu Stival deveria ter “Dirceu” como segundo nome, mas um erro do cartório não permitiu. O empreendedorismo veio de berço, já que o pai Domingos Stival ensinou ao filho o amor pela terra e o trabalho com o vime. Eram de família italiana. Aprendeu a fazer cestas muito jovem.
Na época, o bairro Butiatuvinha, em Curitiba, era só mato. O paiol na casa da família servia para separar, cozinhar e preparar os produtos com os ramos colhidos nos campos de vimal da região. Só limão tirava o encardido das mãos. Muito criativo, Mario Dilceu sabia que dali sairia seu ganha-pão.
Por algum tempo circulou por outras áreas. Quando Jovem, foi sócio com um dos irmãos em uma olaria. Mas fecharam o empreendimento e ele resolveu ir trabalhar na Indústria de Café Liberty. A função de Mário Dilceu era vender o produto na zona rural e na Região Metropolitana de Curitiba com um jipe. Na sequência, trocou o café pelos doces Barion e tornou-se representante de uma empresa de Marília, em São Paulo. Circulou por bairros e municípios com uma Kombi e ofereceu balas e chocolates em bares e mercados até 1961.
Descobriu, por fim, que seu destino estava ligado ao trabalho com o vime. Não pensou duas vezes. Montou um barracão no mesmo terreno em que morava a família e começou a fabricar e comercializar grandes cestos de vime – daqueles em que se guardava os pães antigamente. O negócio foi crescendo pelo tino comercial que Mário Dilceu sempre teve. “Era ligeiro”, brinca o filho Mário Sérgio, o Marinho. Com a criatividade nata e o talento em gestão, o barracão virou a Indústria de Móveis Stival. Chegou a ter 45 funcionários responsáveis pela fabricação de cadeiras, mesas e objetos de decoração.
A filha Marília lembra-se de que, nos anos de 1970, apenas o seu pai sabia fazer uma poltrona específica e ela foi sucesso no mercado. Todo mundo queria ter uma igual. Vendia em lotes de caminhão fechado. “Foi um felizardo e ganhou na loteria”, conta.
Mesmo na administração da indústria, Mário Dilceu sabia o que pedia. Colocava a mão nos projetos e instruía o pessoal da serralheria e da marcenaria. Ele seguia o ditado: “é o olho do dono que engorda o gado”. O filho Marinho aprendeu desde os 14 anos todos os macetes, pois “tem que saber fazer para poder cobrar”.
Na crise de 1996, ele decidiu que deveria se aposentar. Já tinha feito muito pelos negócios. Ficou com um barracão para tocar a indústria de móveis e alugou os restantes. Ainda cuidava de perto dos empreendimentos. Muito ativo, Mário Dilceu fazia os contratos de aluguéis e cuidava das suas coisas. Morava sozinho e não gostava que ninguém se intrometesse.
Mesmo com a aposentadoria, acordava cedo, assistia ao telejornal e dava uma olhada no gerenciamento da empresa feito pelo filho. Tudo era por ali, no quintal, no Butiatuvinha. Dava uma passada no banco, almoçava e tirava um cochilo. Depois do café, batia o ponto “todo o santo dia” no Clube Iguaçu, em Santa Felicidade, conta Marinho. Adorava jogar truco. Mas não abria mão de outros jogos, tais como pontinho e cacheta. O encontro reunia os amigos – um grupo de aproximadamente 20 pessoas - até as 21 horas. O acordo era quem perdia, pagava o jantar. Mário Dilceu não gostava de perder. Com seu jeito extrovertido, encantava.
Há muitos anos sofria de problemas pulmonares. No dia do seu enterro, 28 de maio, iria completar 78 anos. Deixa cinco filhos, dez netos, 11 bisnetos e um trineto.







