
A humanidade do professor Matthias Bungart impressionava a todos que o conheciam. Sempre disposto a ajudar as pessoas, ficou conhecido por sua grande solidariedade. O alemão não teve filhos, mas deixou seu legado para uma infinidade de alunos e professores que o conheceram.
Para fugir da guerra, a família de Matthias encontrou no Brasil uma oportunidade de uma nova vida. Com apenas 6 anos, ele se instalou com os pais e irmãos em Minas Gerais. A família depois morou no Rio de Janeiro, mas foi no Paraná que encontraram o verdadeiro lar. Instalados em Londrina, na Região Norte do estado, o jovem pode completar seus estudos na cidade.
A década de 1960 marcaria uma revolução na vida do alemão. Em 1962, ele veio para Curitiba estudar História Natural na PUCPR, curso que garantiu não só uma longa carreira como professor, mas também trouxe a mulher de sua vida. Conheceu Maria Elizabeth, também estudante de História Natural, em 1963,e, desde então, nunca mais se separaram. Eles se casaram logo após a formatura da esposa, em 1968. Sempre muito atencioso e carinhoso, garantiu ótimas lembranças da relação. O casal viajava quase todos os anos. Juntos, conheceram diferentes paisagens pelo mundo, mas gostavam mesmo dos destinos litorâneos.
A vocação para a docência foi conhecida ainda cedo. Recém-formado, Matthias iniciou a carreira como professor, em 1968, na PUCPR e no Colégio Martinus, onde também foi diretor. Passou por diversos outras escolas, nas quais sempre lecionou para estudantes do Ensino Médio. Tornou-se uma referência para o curso de Ciências Biológicas da universidade. Aos alunos, dedicava-se de corpo e alma. A pontualidade era uma das suas principais características. Era conhecido entre os colegas por sua extrema organização, não só com seus materiais, mas também na sua maneira de ensinar. Como compreendia os universos do Ensino Superior e também do Ensino Médio, conseguia fazer uma “ponte” entre os dois períodos, o que facilitava a vida dos alunos.
Em 1974, ganhou uma bolsa de estudos em Geologia, na Freie Universität Berlin, na Alemanha. Acompanhado da esposa, morou durante um ano na sua terra natal. Foi um período de extrema felicidade para os dois. Muito estudioso, adorou a temporada na Europa, pois pode ampliar seus conhecimentos. Gostaram tanto do país que voltaram diversas vezes para visitá-lo.
Sua vontade de ajudar e guiar as pessoas no caminho da educação marcaram sua longa carreira. Comprava livros e revistas para aqueles alunos que não tinham condições de adquirir as publicações. Foi homenageado em inúmeras formaturas. Desde 2002 foi eleito o professor homenageado nas turmas de licenciatura em Biologia, fruto de seu bom relacionamento com os estudantes. “Sempre incentivava os alunos, ele era um homem muito motivador. Cativava todos, pois nunca estava desanimado”, conta Ana Cristina Greca, coordenadora do curso de Biologia na PUCPR e ex-aluna de Matthias.
A paixão pela profissão era tanta que mesmo não trabalhando mais, ainda sonhava com as aulas que dava. Poucos dias antes de falecer, já no hospital, dormia e sonhou que estava lecionando. “Ele sentou na cama, com os olhos fechados, ergueu bem a voz e falou por alguns instantes sobre zoologia, como se estivesse em sala”, lembra-se a esposa.
Nos últimos dias, Matthias esteve internado por complicações de um câncer. No dia 28 de abril, teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. Deixa a esposa Maria Elizabeth S. Bungart, cinco irmãos e muitos alunos e colegas de profissão.







