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Lista de falecimentos - 06/08/2015

Miguel Pessoa: o médico pediatra com múltiplos talentos

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

A cena se repetiu várias vezes. As mães, principalmente as de primeira viagem, pediam ajuda ao doutor Miguel Pessoa na hora de alimentar seus pequenos. Ele então compartilhava receitas de papinhas e sopinhas de dar água na boca. Se havia alguém no mundo capaz de transformar uma papinha em uma iguaria gourmet, era Miguel. O pediatra tinha boa mão para a cozinha – era um de seus talentos.

Nascido em Irati, no Centro-Sul do Paraná, Miguel deixou a cidade natal com a família aos 16 anos, logo após o falecimento do pai, João de Mattos Pessoa, dono da Farmácia Pessoa. Naqueles tempos, os médicos eram raros, principalmente no interior, e muitas vezes cabia aos farmacêuticos o papel de cuidar da saúde dos cidadãos. João atendia quem precisasse, pudesse ou não pagar. Miguel ajudava o pai na farmácia e sabia até mesmo fórmulas de medicamentos manipulados. Provavelmente foram essas experiências que despertaram no menino o desejo de ser médico.

Nos primeiros anos em Curitiba, Miguel dividia o tempo entre os estudos regulares no Colégio Estadual e a preparação para o vestibular. Ingressou no curso de Medicina da PUCPR e, depois de formado, foi para o Rio de Janeiro fazer residência. Quando voltou, recebeu o convite do tio e grande incentivador, o médico pediatra Plínio de Mattos Pessoa, para trabalhar com ele. “Pronto para começar amanhã?”, interpelou Plínio. A resposta de Miguel foi desconcertante. “Não, tio. Primeiro tenho de ir para Irati. Talvez fique medicando por lá.” Ao pequeno diálogo, seguiu-se uma “conversinha” de tio para sobrinho e Miguel começou no dia seguinte sua carreira como pediatra no consultório de Plínio, no Hospital Pequeno Príncipe, na Maternidade Nossa Senhora de Fátima e e na Maternidade Victor Ferreira do Amaral.

Embora amasse Irati, adotou Curitiba como sua cidade. Foi na capital que ele se casou com Olga, seu grande amor. A moça, sua prima distante, era sua conhecida desde pequena. Aos irmãos de Olga e futuros cunhados, Miguel costumava contar histórias sobre o interior e a vida em Irati. Ela ouvia também, sem saber que aquele rapaz seria seu marido. Anos depois, os dois se reencontraram e começaram a namorar. Sempre bem humorado, Miguel costumava perguntar se Olga aceitaria “criar galinhas em Irati” com ele. Era uma brincadeira, claro, e a moça apaixonada respondia que sim, mesmo sendo urbana e pouco dada ao meio rural. Em um ano e meio subiram ao altar.

Miguel também trabalhou por muitos anos como médico perito do INSS e no Educandário São Francisco, em Piraquara. Mesmo após a aposentadoria, mantinha os contatos com os amigos que continuavam a trabalhar na instituição na RMC. Não raro, ia lá almoçar para rever os conhecidos.

Nos momentos livres, Miguel gostava de demonstrar sua perícia na cozinha. Chamava os amigos e preparava algum prato especial ou então fazia experiências culinárias. Durante a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, organizou um almoço temático com pratos japoneses. Aquarelista, gostava de retratar paisagens, naturezas-mortas e também os próprios filhos. O casario antigo de Irati também foi retratado por Miguel e rendeu uma exposição na cidade.

Outra paixão eram as viagens. Junto com a esposa, conheceu Paris, Rochefort, Giverny – a cidade de Monet. Encantou-se com Nova York, cidade que lhe oferecia ótimos restaurantes, bom astral e a bela Grand Central Station, locação do filme O Pescador de Ilusões. Viajando descobriu o gosto pelos cassinos. Las Vegas, Caribe, Panamá, Colômbia. Miguel gostava de tentar a sorte nas máquinas. E ganhava. “Uma vez ele ganhou e brincou que havia feito ‘o milagre da multiplicação dos dólares’”, conta a esposa.

Em família, Miguel tinha múltiplos títulos. Todos tinham uma maneira carinhosa de chamá-lo: tio Miguel, Mircha, Migule, Miguelito, tio Manel, Michael, Miguelzinho, vô Mig, vô Mi. Costumava brincar que ter netos era tão bom que, se pudesse, começaria por eles e não pelos filhos. Foi embora sem aviso, deixando a saudade em todos. Deixa a esposa, Olga Maria, os filhos Gustavo e Luciano, as noras Rafaelle e Renata, e os netos Bruno, Caetano e Matheus.

Lista de falecimentos - 06/08/2015

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