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lista de falecimentos - 23/07/2015

Nazira Maria de Souza Brito: a doce avozinha do Santa Cândida

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Nazira Maria de Souza Brito gostava de coisas simples. Seu dia perfeito começava cedinho: levantava às 6 horas, acendia o fogão de lenha e colocava a água do chimarrão para esquentar. Como trilha sonora, ouvia músicas evangélicas. As preferidas eram as da dupla Rayssa e Ravel, Talita e o CD de Welington Camargo, presente do neto Wagner. O café da manhã ideal tinha o pão feito por ela, o café quentinho e o leite recém-tirado. No almoço, não poderia faltar o feijão com farinha de milho biju, que também poderia virar uma gostosa farofa com ovos caipiras. Passava o dia intercalando os afazeres de casa com o cuidado com a horta, onde viçavam couves, alfaces e cebolinhas, as orações diárias e as conversas – sempre regadas com chimarrão – com as vizinhas. A família sempre presente completava o dia perfeito de Nazira.

Nascida em Castro, região dos Campos Gerais, numa família de pequenos agricultores, Nazira amava o campo. O cuidado com a terra e os animais de fazenda a acompanharam durante toda a vida. Passou a infância e a adolescência entre as vaquinhas leiteiras e o cultivo de milho, feijão e os demais produtos necessários para a alimentação do dia a dia. Aprendeu a fazer o pão e a farinha de milho biju, a aproveitar o leite para queijos de vários tipos. Seus queijos eram famosos.

Outro talento desenvolvido naquela época foi o de artesã. Fazia com perícia chapéus de palha. Comerciantes encomendavam os produtos trançados artesanalmente e feitos em uma antiga máquina de costura manual – que às vezes quebrava e colocava em risco as entregas. Também sabia manter as roupas em ordem. Nunca havia botões soltos ou remendos malfeitos.

Foi em Castro que Nazira conheceu o marido, Pedro, um homem do campo. O casal deixou os Campos Gerais para trás e seguiu em direção a Curitiba. Foram trabalhar em uma chácara na região do bairro Santa Cândida. O ambiente rural se manteve. Na propriedade também havia vaquinhas para cuidar, leite para tirar e fazer queijo, e horta para plantar tudo o que quisessem. E, claro, um fogão de lenha para manter a água do chimarrão sempre quente. Com essa rotina simples, criaram os oito filhos e ensinaram o valor do trabalho e da vida digna. Nazira cuidava dos seus sem descanso; ela não dormia enquanto não os visse chegar em casa com segurança.

“Ela gostava de manter todos debaixo de suas asas. E foi uma mãe para a maioria dos netos”, conta Wagner. Enquanto os filhos trabalhavam, ela cuidava das crianças com prazer. Nunca brigava com eles e até “broncas” pelas travessuras eram doces. Wagner lembra-se das vezes em que, depois de repreendido pela mãe, buscava o colo da avó Nazira como consolo. “Ela ficava contando histórias de como eram as escolinhas rurais do passado, como se fazia a farinha biju do milho”. Ao longo das narrativas, Nazira mantinha a cuia de chimarrão por perto. Foi assim que muitos netos – incluindo Wagner – aprenderam a apreciar a bebida.

Muito religiosa, frequentava a Assembleia de Deus e costumava orar na casa dos doentes. Levava o conforto da prece a quem precisava. Além do amor às pessoas, os bichos também tinham sua afeição. As vaquinhas eram suas preferidas. Quando cães de guarda da chácara acabaram matando uma bezerrinha, Nazira não conteve as lágrimas de emoção. Os animais pareciam saber desses sentimentos e respeitavam a senhorinha. Em outra ocasião, os cães – da raça dobermann – estavam soltos e cercaram Wagner, na época uma criança pequena. O menino ficou apavorado e chamou pela avó. “Ela chegou e me disse para abraçá-la e ficar quietinho. Os cachorros não fizeram nada.”

Há cinco anos, com o Alzheimer avançado, Nazira ficou acamada. A doença a debilitou ao longo dos anos e, após uma parada cardiorrespiratória, ela não resistiu. Deixa os filhos Esmail, Laurita, Adjair, Úrsula, Hermínio, Ana Maria e Iraide, 18 netos, oito bisnetos e um trineto.

Dia 26 de junho, aos 83 anos, devido a uma parada cardiorrespiratória, em Curitiba.

Lista de Falecimentos - 23/07/2015

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