Pesquisar sobre o passado de uma cidade e seus habitantes, ultrapassa o debruçar sobre jornais, documentos de época e relatos. É preciso também compreender uma imbricada teia de relações e parentescos, da origem de grupos de poder econômico e político, constituídos por meio de indivíduos e suas famílias. A genealogia desempenha um papel fundamental como ferramenta para a contextualização desse passado, auxiliando o pesquisador a reconstituir e compreender os atores envolvidos.
Para aqueles que se debruçam sobre a história de Curitiba e do Paraná, um nome de grande importância é o de Francisco Negrão. Dono de uma produção bibliográfica abrangente, teve seu nome reconhecido por duas grandes obras: a Genealogia Paranaense e os Boletins de Atas da Câmara de Curitiba. Filho do Capitão e Deputado Provincial João de Souza Dias Negrão e de Maria Francisca da Luz, trineta de Baltazar Carrasco dos Reis (um dos fundadores da cidade de Curitiba), Francisco de Paula Dias Negrão nasceu em São João da Graciosa, região de Morretes, em 3 de agosto de 1871.
Seguiu carreira militar ao mesmo tempo em que especializou-se em legislação fiscal, tornando-se perito na área tarifária. Isso o motivou a iniciar a carreira como escriturário na Alfândega. Entre os anos de 1906 e 1932, foi diretor do Arquivo Municipal de Curitiba. Nesse período, realizou a transcrição das atas da Câmara Municipal no período entre 1668 e 1932, o que resultou em uma série de 62 volumes com diversas notas explicativas, trazendo a trajetória diária do legislativo municipal entre os séculos XVII e XX.
Entretanto, a obra que o consagrou foi a Genealogia Paranaense, um conjunto de seis volumes, somando milhares de páginas e que retrata a genealogia das principais famílias paranaenses, acompanhada de breves biografias sobre as maiores personalidades. A pesquisa, que tomou grande parte de sua vida, contou com auxílio de sua esposa Astrogilda. O primeiro volume foi publicado em 1926 e o último, em 1950, postumamente. Colaborador de Ermelino de Leão no Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná, finalizou a publicação conforme prometido a Ermelino em seu leito de morte.
Foi também autor de Conjura Separatista de 1821 (1916), O Guarda-mor Francisco Marins Lustosa (1917), As Minas de Ouro da Capitania de Paranaguá (1920), Efemérides Paranaenses (1920/21), A viagem de Dom Pedro II através do Paraná (1925), O centenário da colonização alemã de Rio Negro (1929), Memória sobre os monumentos históricos e artísticos do Paraná (1932), Memórias da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba (1933), Memória Histórica Paranaense (1934), contendo as quatro obras anteriores, Efemérides Paranaenses (1941), além de biografias, crônicas e artigos esparsos na imprensa.
Sua atuação como pesquisador o levou a ser membro de Institutos Históricos e Geográficos de diversos estados como Paraná, Ceará, Mato Grosso, Amazonas e Santa Catarina. Também atuou nos Institutos Genealógicos de São Paulo e Rio Grande do Sul, além de ser membro da Academia Paranaense de Letras e do Centro de Letras do Paraná. Faleceu no dia 11 de setembro de 1937, aos 66 anos de idade e foi sepultado no Cemitério Municipal São Francisco de Paula. No túmulo da família Negrão, é o busto de seu pai, o Capitão João, que adorna a sepultura.
A Francisco coube uma réplica de sua assinatura em bronze. Um signo um tanto quanto emblemático para quem se dispôs a transcrever e registrar partes importantes da história de nosso estado e de seus personagens.







