Natural de Ponta Grossa, nos Campos Gerias, Neiva Aurora Ferreira Mongruel gostava de reunir as pessoas. Era bem articulada quando falava e sempre preocupada com o bem-estar de todos. Era a décima de 12 irmãos, o que fez com que fosse acostumada a estar no meio de muita gente. Gostava de passar esse bom relacionamento entre irmãos para os filhos. Casada com Osni Vilaca desde 1955, teve cinco filhos. Mais tarde, nasceram 13 netos e mais dois bisnetos transformando os encontros de família em verdadeiros eventos.
Fosse em dia de reunião de família ou não, quem passasse pela casa de Neiva não sairia de lá sem comer alguma coisa. Regimes perto dela eram impossíveis. Desde os 10 anos já mostrava talento com as panelas e virou a cozinheira da casa. Os pratos eram simples, mas todos com o toque especial de Neiva. Suas especialidades eram simples, mas saborosas: macarrão com carne e o bom e velho arroz com feijão.
Todos sempre a tiveram como uma grande companheira. Nos momentos bons, sua presença era uma certeza. Nos ruins, mais ainda. Neiva era marcada pela personalidade forte quando falava. Seus conselhos eram bons, mas por vezes vinham com um certo tom de cobrança. Apontasse como as coisas deveriam ser feitas para que saíssem sempre certo.
Neiva era também muito apegada a fé. Criada dentro da igreja católica, fez com que os filhos seguissem pelo mesmo caminho. Gostava de rezar em todos os momentos que podia. O terço estava sempre por perto. A fé podia ser sentida durante as despedidas. Dizia: “Deus te acompanhe e que o anjo da guarda te ilumine” para todos que lhe dissessem “tchau”.
Participava das ações da Paróquia São José e na Igreja do Rosário, em Ponta Grossa. Também se reunia todas as semanas com as amigas para rezar. Juntas formavam o grupo de oração Santa Rita de Cássia. Era “mão de obra” ativa dentro da igreja. Ajudava também financeiramente em alguns casos. Era solidária com instituições de caridade e escolas.
Na casa de Neiva, inúmeras imagens de santos formavam um altar pessoal. Era uma mesa especialmente preparada para colocar os santinhos. Alguns, vieram como presente. Mas, quando viajava, as igrejas locais eram paradas obrigatórias. Comprar uma imagem da padroeira local era item indispensável.
Em 2001, o falecimento do marido Osni rendeu uma homenagem da cidade para a família. A escola municipal recém inaugurada recebeu o nome de Osni Vilaca Mongruel. Como forma de homenagear a partida do companheiro de Neiva, o dia 13 de maio se tornou a data oficial de uma festa na escola. O local atende cerca de 400 alunos entre 3 e 10 anos.
Orgulhava-se também de ter se mantido independente e atualizada. “Mesmo com 80 anos de idade, ela usava tablet e celular de última geração”, conta o filho Osni Jr. Gostava também da TV por assinatura, As missas pelo canal Rede Vida eram o programa predileto.
No começo de agosto Neiva sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), passou alguns dias no hospital e se recuperou. No fim do mês, sofreu outro AVC, mas não resistiu às novas complicações da doença. Deixa os cinco filhos, 13 netos, dois bisnetos, genros, nora e três irmãs.







