
Aos sábados, Neiy Noeli Hartmann tinha o compromisso – dos tantos que faziam parte de sua agenda semanal – com a Pastoral da Criança da Paróquia Santa Quitéria. O “Pai dos Pobres”, como era conhecido na comunidade religiosa, ajudava na confecção do sopão oferecido para as famílias e crianças atendidas na creche mantida pela igreja. Além de comprar os legumes e ajudar a cortá-los, era ele o responsável por lidar com uma máquina industrial que triturava alimentos. Durante o encontro, promovia a acolhida aos participantes, e cuidava do som e dos microfones - “a sua menina dos olhos”, lembra a companheira Suzi.
A facilidade na comunicação e expansividade nata encantavam quem o conhecesse. Além da atuação na Pastoral da Criança, o aposentado se dividia nas tarefas das pastorais da Ação Social, da Acolhida, dos Vicentinos e da Catequese. O importante era ajudar. “A palavra não era inexistente em seu vocabulário. Não tinha hora nem dia para ajudar quem precisasse ”, conta Suzi. Uma das últimas vezes que saiu de casa para ajudar alguém foi quando uma das casas na comunidade da Portelinha, próxima da igreja, pegou fogo. Além de acudir na tragédia, buscou acolher a família e buscar a doação de móveis para que pudessem reconstruir a vida.
Na Pastoral da Ação Social, lembra o padre José Luiz Sauer, pároco da igreja de Santa Quitéria, o amigo era responsável pela arrecadação dos alimentos e organização das cestas básicas distribuídas mensalmente para 70 famílias cadastradas no bairro. Entre suas tarefas estava o cuidado a validade dos donativos. Nas missas das 19 horas do segundo domingo do mês, ele também preparava as liturgias.
Quando nem existia a Pastoral da Acolhida, Neiy promovia o recebimento dos participantes das missas. Com perfil e empatia, em meados de 2012, foi convidado para coordenar a recém-inaugurada Pastoral da Acolhida. Ele ainda encontrava tempo e disposição para contribuir com a Pastoral da Catequese.
O trato com as pessoas fazia a diferença. Suzi recorda-se das gargalhadas e da felicidade que o companheiro mantinha diariamente. Mesmo que ao acordar o céu estivesse nublado, não deixava de dizer: “hoje o dia vai ser ensolarado”.
Para sua felicidade, depois que se aposentou da indústria química com pouco mais de 45 anos, pode se dedicar mais às ações da igreja. Em paralelo, mantinha o trabalho de pintor e reparador de geladeiras.
No dia 1.º de março, Neiy passou mal enquanto dirigia o carro, na Rua José de Alencar Guimarães, no bairro Santa Quitéria. Ao vê-lo desmaiado, Suzy tomou o volante das suas mãos e jogou o carro na calçada, antes de colidir contra uma árvore. Segundo ela, estavam saindo de um almoço no Pequeno Cotolengo. “O que fica nessa vida são as lembranças”. Deixa a companheira Suzy, uma filha do primeiro casamento, e dois netos.
Lista de falecimentos - 19/03/2015
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