
Além da dedicação total na vida profissional, Nilson Marchado sempre achava um tempo para se dedicar à natureza. Na casa onde morava em Umuarama, no noroeste paranaense, ele mantinha várias árvores e resistia a qualquer tentativa de quem ousasse querer podá-las. O exemplo de protetor da natureza foi assimilado pelo neto Mateus, que hoje reclama ao ver alguém cortando ou podando uma árvore.
Nilson era muito conhecido, principalmente, do público que frequenta os clubes sociais locais. Comandou o bar do Clube Recreativo Português por 17 anos e havia oito anos estava no bar do Harmonia Clube de Campo, missão que agora é da esposa Luzia. Atender bem aos clientes e manter em dia o pagamento aos fornecedores eram exigências dele.
Começou a trabalhar bem cedo. Antes dos 18 anos, já trabalhava de engraxate. Depois foi garçom e há mais de 30 anos era dono de bar. Casado há 34 anos com Luzia, Nilson não abriu mão do trabalho nem mesmo quando estava com a saúde abalada. Fazia questão de ir todos os dias ao clube para ajudar a cuidar do bar. Cuidava com atenção da saída da sauna. Mesmo em dias de clube lotado, atendia a todos com muita calma. No fechamento, ainda tratava de abastecer as geladeiras e deixar tudo no jeito para o dia seguinte.
Além da paixão pelo trabalho, Nilson Machado deixou exemplos de amor pela natureza. Nos primeiros anos de casado, 30 anos atrás, chegou a manter como bichos de estimação três macacos, um quati, uma tartaruga e até uma capivara. Tudo isso no mesmo terreno que abrigava a casa e o bar da família, no cruzamento da avenida Brasil com a rua Governador Ney Braga, no centro da cidade. E o desejo dele ainda era ter uma onça, lembra a viúva Luzia. Mas não conseguiu. Ela recorda ainda que Nilson gostava de brincar com os bichos, tratava bem todos eles, mesmo após ser mordido no pé pelo quati -- em plena cozinha da casa. Nas poucas vezes que viajava. gostava de observar bem as paisagem destacando as plantas e as árvores.
Às segundas-feiras, o dia de folga, o comerciante aproveitava para limpar o quintal, as calhas de um barracão que possuía ao lado da casa e fazia pequenos consertos na residência. Mantinha uma grande quantidade de ferramentas pequenas e médias. Quando ia ao supermercado, perdia-se no setor de ferramentas -- o seu predileto. Dava um jeito de comprar tudo o que avistava de diferente. Além dos reparos em casa, gostava de produzir brinquedos e peças de marcenaria.
A vaidade também foi marca registrada na vida de Nilson. Aparar ava a barba todos os dias. O creme de mão e o protetor solar também faziam parte da rotina. As roupas e os calçados tinha de estar sempre limpos. No caso dos tênis, ele mesmo fazia questão de lavar a seco para aumentar a durabilidade. Dizia-se um homem realizado por ter formado e casado as duas filhas. Gostava de ler jornais, revistas e ver o noticiário na tevê para ficar por dentro dos assuntos que os clientes debatiam no bar.
Deixa a esposa, duas filhas e um neto.
Dia 23 de julho, aos 60 anos, de hemorragia no esôfago, em Umuarama







