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Lista de falecimentos - 27/08/2015

Nilza Rodrigues: das costuras às aulas de informática

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Das mãos da costureira Nilza Rodrigues nasciam desde camisetas até trajes mais elaborados, como vestidos e roupas de festa. Ela e os filhos Eliete e Edson sempre usavam as peças que ela mesmo costurava. Era difícil vê-la entrando em uma loja para comprar roupas; trocava as prontas pelos tecidos. Com o passar dos anos e o nascimento dos quatro netos, a produção de Nilza só aumentou.

Natural de Rancharia, interior de São Paulo, Nilza morou primeiro no Norte do Paraná e depois foi para Cianorte, no Noroeste. Foi na “Capital do Vestuário” que conheceu o primeiro marido e teve os dois filhos. Quando chegou a Curitiba, em 1977, já era costureira – exercia a profissão desde muito jovem – e havia se separado. Passou a trabalhar em ateliês e fábricas de confecção de roupas. Mas nunca deixou de produzir peças para a família.

Nilza sempre foi uma mulher vaidosa e gostava de se arrumar. Cuidava muito do cabelo e mantinha os fios sempre penteados e bem pintados. Na aparência, porém, o figurino – sua especialidade – era a maior preocupação. As flores a inspiravam para se arrumar. Ela amava as plantas, principalmente as rosas e as orquídeas que plantava no jardim de casa.

Em Curitiba, fez boas amigas com as quais saía aos fins de semana para dançar. Foi em um baile da terceira idade que conheceu o segundo marido, Alexandre, com quem morou por 11 anos. Após a morte dele, em 2005, ela voltou a morar com a filha.

A casa sempre esteve cheia de vida e de sons. A programação do rádio AM podia ser ouvida todos os dias por quem estivesse na sala de Nilza. Gostava das emissoras que não tocavam somente músicas, mas também tinham conversas, leituras de cartas e tudo aquilo que as faixas do AM proporcionam. As radionovelas também eram uma grande paixão da paulista. Apreciava tanto as histórias que tirou de uma delas o nome da filha, Eliete. Mais tarde as telenovelas também conquistaram um lugar especial no coração da costureira e se tornaram o programa favorito na televisão.

Nilza também buscava estar sempre atualizada. Quando observou que os filhos e netos usavam o computador, quis logo aprender como aquilo funcionava. Passou então a frequentar as aulas de informática para a terceira idade e anotava tudo. Em casa, quando tinha dúvidas, perguntava para a filha. Tinha também um celular e gostava de ficar em dia com as notícias do país.

Para se manter sempre ativa, optou pela ginástica. Todas as semanas frequentava um grupo organizado pela Prefeitura de Curitiba. Nas aulas, tanto as de informática como as de ginástica, fez inúmeros amigos com seu jeito espontâneo e conversador.

Nilza era a mais velha de oito irmãos; seis deles moram em outras cidades. Apesar de estarem distantes fisicamente, nunca perderam o contato e tinham um bom vínculo de amizade. Nair é a única irmã que reside em Curitiba e por isso as duas eram muito próximas. Falavam-se por telefone todas as tardes e se visitavam aos fins de semana.

Ela frequentava também as missas na Paróquia Santa Quitéria e gostava muito de viajar para visitar a família e conhecer paisagens bonitas. Quando seguia para Maringá, matava as saudades do filho, Edson. Mas ela também aproveitava para participar das novenas na cidade. “Ela era muito espontânea e participativa. Todo mundo gostava da sua presença quando estava nas novenas em Maringá . Não ficava apenas como uma visitante”, conta Eliete.

Em 2008, Nilza recebeu o diagnóstico de que sofria de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa, e também já apresentava alguns problemas no coração. Não resistiu à insuficiência cardíaca. Deixa os filhos Eliete e Edson, quatro netos e sete irmãos.

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