
A família de Paulo Iubel fez questão de criar os filhos com base nos valores cristãos. Sempre muito católicos, João e Bronislava faziam questão de levar à missa os 12 filhos. Paulo, irmão gêmeo de Pedro, foi o último a nascer, mas não o único a seguir o caminho do sacerdócio. Entre os irmãos, um também se tornou padre e duas são freiras. A vocação para servir a Deus surgiu ainda cedo e sempre foi muito apoiada pela família. Aos 5 anos, Paulo apontou para o altar durante uma missa e perguntou para a mãe o que aquele homem fazia lá. Bronislava respondeu que aquele era o padre e que ele estava lá falando ao povo o que Deus queria. Satisfeito, o menino disse que quando crescesse também estaria lá. Aos 10 anos, a promessa começou a se cumprir.
Iniciou os estudos para se tornar sacerdote no começo da década de 1950 e, depois de alguns anos de dedicação, Paulo foi ordenado padre em 1963. Nunca parou de estudar e acreditava que deveria aprofundar seu conhecimento da religião cada vez mais. Mais tarde, foi a Roma e formou-se em Direito Canônico com honras, como consta no diploma. Sempre muito dedicado à leitura, tinha grande domínio de diversos assuntos. Era quase um especialista em latim; os padres sempre recorriam a ele para traduzir textos e documentos.
Boa parte do trabalho na igreja se deu nos arredores de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Tinha iniciado seus estudos na cidade e, depois de retornar da Itália, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, também na “Capital da Louça”. Atualmente Paulo era o pároco da igreja Imaculada Conceição, no bairro Guabirotuba, em Curitiba.
O sacerdócio foi baseado em três grandes características: a piedade, a vasta cultura nas pregações e a obediência, como definiu o amigo e colega de missão dom Pedro Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba. A piedade vinha de sua admiração pelos papas São Pio X, ao qual atribuía alguns milagres em sua vida, e São João Paulo II, com o qual tinha uma profunda identificação pela origem polonesa. A cultura adquiriu pela grande dedicação aos estudos. Sempre colocava tudo aquilo que aprendeu em suas pregações, mas de uma maneira muito simples. Buscava falar de maneira clara, para que todos entendessem, mesmo nos sermões mais profundos. Por último, a obediência vinha do amor incondicional que tinha por Deus e pela Igreja Católica. Dizia que, se fosse preciso, morreria pela igreja e que “se por algum absurdo” nascesse novamente, mais uma vez escolheria ser padre.
Em seus quase 52 anos de sacerdócio, Paulo foi inspiração para inúmeros novos padres. Era um exemplo de humildade. Na mesa, gostava dos pratos mais simples possíveis. Seu “luxo” se dava com as roupas, pois estava sempre muito bem vestido. Para justificar a boa aparência, dizia sempre que se arrumava para Deus, pois Ele merecia o melhor. Para Paulo, oferecer o melhor para o Pai significava fazer tudo com vontade. O padre não fazia algo se soubesse que não faria bem feito. Era um perfeccionista em sua missão. Tal cobrança podia ser vista nos brasões dos bispos que desenhava. A produção dos escudos era seu grande hobby e refletia a busca pelo melhor de si.
A seriedade que tinha nos trabalhos da igreja contrastava com seu jeito brincalhão entre os familiares e amigos. Sempre com uma piada na ponta da língua, tornou-se uma presença marcante dentro da família. Em todos os anos como padre nunca tirou longas férias, mas separava uma semana para visitar todos seus parentes. Ele era um segundo pai para dois de seus sobrinhos. Maysie e Luís Iubel moravam com ele há 25 e 20 anos, respectivamente.
Além de sua paixão pela igreja, amava também o futebol. Era torcedor do Paraná Clube, enquanto pôde, ia ao estádio assistir aos jogos do Tricolor. Quando não podia acompanhar de perto as partidas, estava sempre atento ao rádio ou à televisão. Também reservava um tempo para outros jogos, pois gostava de sentir a emoção que o esporte proporciona.
Padre Paulo faleceu em 16 de junho, aos 78 anos, em decorrência de um câncer. Segundo a família, ele não teve um diagnóstico preciso. Deixa três irmãos, os sobrinhos Maysie e Luís, demais sobrinhos, os paroquianos e incontáveis amigos.







