
A palavra que marcou a vida do atleta Paulo Sérgio Hulmann é amizade. Por muitos anos, ele cultivou companheiros de trabalho, de esporte e de vida. Nascido em 29 de fevereiro de 1980, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, perdeu os pais ainda criança, mas era considerado pelos amigos mais próximos como um familiar.
O ex-colega de trabalho, Alvim Foltran Júnior, conhecia Hulmann há 25 anos, quando o atleta ainda era criança e fazia companhia para o pai no trabalho como vendedor de sorvetes. O menino extrovertido e carinhoso cresceu e se tornou uma pessoa carismática e dedicada aos esportes. Foi um sobrinho do ex-colega que o inseriu nesse “mundo” ao lhe dar uma bicicleta. Desde então, o ciclismo, a corrida e, mais recentemente, a natação, estavam entre as atividades favoritas do ponta-grossense.
Foltran Júnior conviveu de maneira mais próxima com Hulmann nos últimos oito anos, período em que o atleta trabalhou na sua empresa. “Nossa relação era ótima. Nos oito anos em que ele esteve comigo, sempre o considerei como um filho. Nós brincávamos juntos, nadávamos juntos, viajávamos juntos”, conta. “Não tinha pessoa que não gostasse dele. Nunca vi uma autoridade com tantas pessoas no velório como tinha no dele. Isso prova o carisma que ele tinha. Não via maldade no coração das pessoas”, conta.
O ponta-grossense se destacava nas provas de corrida, sua principal habilidade, e chegou a ganhar vários prêmios. Além de atleta, também era um excelente dançarino. Esse ano, havia começado a se dedicar à natação. Cristiano Bernardo, amigo do atleta por 12 anos, foi quem o incentivou a praticar triathlon e, para além do esporte, o acolheu dentro da própria família. “Há pelo menos cinco anos, ele passava o Natal na minha casa. Era querido por mim e pela minha família”, conta. Os dois praticaram ciclismo juntos por muitos anos. Por causa dos cabelos longos e da barba, Bernardo conta que o amigo era conhecido pelo apelido de “Jesus”.
Hulmann não chegou a competir em provas de triathlon. Ele estava se preparando para sua primeira prova, o Circuito Pro Adventure – Cross Triathlon Series, em 29 de novembro. Mas no dia 7 de novembro, na primeira vez em que treinava natação em águas abertas, na represa de Alagados, sofreu um ataque cardíaco.
A roupa própria para o esporte, conhecida como macaquinho, que já estava pronta para a competição, mas nunca foi usada. “Agora eu vou usar a roupa dele, como uma homenagem”, diz Bernardo.
Uma semana depois da morte, durante uma corrida, amigos prestaram uma homenagem ao ponta-grossense. “O mais importante na vida dele era a amizade. Quem o conheceu, sabe. Ele conseguia ter tempo para todo mundo. Era uma pessoa diferente, fora do comum”, conta Bernardo.
Deixa duas irmãs e muitos amigos.







