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Lista de falecimentos - 28/07/2015

Pedro Manoel Jancke: o jardineiro do Castelo do Batel

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Houve um tempo em que as famílias tradicionais de Curitiba disputavam os bons jardineiros. Era preciso alguém de confiança e muita habilidade para manter os canteiros alinhados, árvores harmoniosamente dispostas, arbustos podados e a grama sempre rente ao chão dos casarões elegantes da capital paranaense. Não era para qualquer um. O ofício era passado de pai para filho e os segredos da profissão seguiam guardados a sete chaves. Foi nessa Curitiba – que hoje praticamente não existe mais – que Pedro Manoel Jancke encontrou o seu lugar no mundo: a jardinagem.

Nascido e criado na região das Mercês, Pedro desde cedo acompanhava o pai, Alberto, responsável por alguns dos mais belos jardins da cidade. O Castelo do Batel –que antigamente foi a sede da TV Paranaense, o Canal 12 – estava entre os casarões atendidos. Foram os Jancke os responsáveis durante anos pelos espaços verdes do imóvel. Pedro tomou gosto pela profissão. As plantas eram a sua grande paixão. Aprendeu a fazer enxertia e alporquia, todas as técnicas de poda, conhecia adubos e as melhores épocas de plantio de sementes e mudas.

Nas palavras de Alberto, filho de Pedro, o pai tornou-se um “botânico empírico”, aplicando e testando tudo o que aprendia. Se deixassem, trabalharia de sol a sol, sem reclamar. Nunca pensou em deixar a profissão. Amava como poucos o ofício e, acredita o filho, ele talvez até preferisse a companhia das plantas a das pessoas. “Ele era muito sério e as pessoas tinham receio de se aproximar dele, mesmo tendo um bom coração”, conta.

Pedro gostava de presentear os amigos com uma garrafa de vinho que ele mesmo produzia. Além de jardineiro, também era vinicultor. Inicialmente, cultivava as uvas que mais tarde serviriam para preparar a bebida; depois passou a comprar os frutos de outros produtores. Todos os anos, conseguia engarrafar cerca de 60 unidades. Serviam para presente e também para o consumo da família, de preferência acompanhando uma bela polenta com frango.

Mesmo com a habitual sisudez, Pedro acabou se rendendo ao amor. Numa loja de artefatos de couro, o jardineiro conheceu aquela que seria sua esposa: Madalena. O casal teve dois filhos e construiu uma família. O curitibano ensinou aos pequenos o valor do trabalho, da honestidade e dos estudos. Nas formaturas dos filhos e, posteriormente, dos netos deixava-se levar pela emoção. Tinha orgulho de vê-los educados e seguindo o caminho certo na vida.

Orgulhava-se também de seus feitos na profissão. Alberto conta que o pai sempre se lembrava de ter sido o responsável por plantar as sementes – os pinhões – que deram origem às araucárias que hoje estão na área nos fundos do Dom Bosco das Mercês. Décadas atrás, lá ficava a antiga chácara dos Jancke. Quando passava em frente ao espaço, Pedro não podia deixar de apontar com orgulho para as altas árvores.

Além da vinicultura, hobby que teve de abandonar há algumas décadas, Pedro também tinha seus canarinhos de canto. O cuidado com as aves fazia parte da rotina do jardineiro: trocava o alpiste e a água, limpava as gaiolas, apreciava o canto trinado dos animais. Para evitar que o frio comprometesse a saúdes dos canários, pediu à esposa que fizesse uma cobertura em tecido para cada gaiola, evitando assim que o ar frio chegasse a eles.

Mas os jardins, claro, permaneciam como o hobby preferido. Mesmo tendo deixado de trabalhar com a jardinagem, gostava de manter a rotina de cuidados com as plantas. Quando os sintomas do Parkinson apareceram, há 13 anos, foram limitando pouco a pouco os movimentos devido ao enrijecimento muscular. Pedro ficou entristecido por não poder empunhar com a mesma maestria as tesouras de poda. A doença se agravou nos últimos anos e Pedro teve um AVC no início do mês. Deixa a esposa Madalena, os filhos, Alberto e Marli Madalena, três netos e uma bisneta.

Lista de falecimentos - 28/07/2015

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