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Lista de falecimentos - 19/04/2015

Poliana Deves: o legado de uma jovem enfermeira

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

“A minha luta apenas começou! E ela não vai acabar após o meu transplante, só vai terminar quando não tivermos mais crianças, jovens e adultos morrendo por falta de um doador.” A frase foi escrita pela jovem enfermeira Poliana Devez, em 16 de março, e postada em sua página no Facebook quando ela estava internada aguardando um transplante de medula óssea no Hospital de Clínicas, em Curitiba. A luta de Poli, como era carinhosamente chamada, foi intensa e levou muitas pessoas a se conscientizarem sobre a importância da doação de medula e de sangue.

A bela jovem natural de Guaraniaçu, no Oeste do Paraná, morava em Cascavel desde os primeiros meses de vida. Desde cedo aprendeu a superar obstáculos. Em 8 de fevereiro de 1992, na véspera de completar um ano, a pequena Poliana caiu na piscina da casa da avó, aspirou água, foi levada para o hospital e permaneceu alguns dias inconsciente. Os médicos diziam que ela não sobreviveria, mas ela mostrou que era guerreira e não se entregou. Quinze dias depois, ela estava em casa na sua festa de aniversário junto com os amiguinhos de infância.

Poli foi diagnosticada com um tipo de leucemia, que não é comum em adultos, em abril do ano passado. Teve início uma campanha que salvaria muitas vidas. Na internet, ela criou o grupo “Amigos da Poli” para incentivar a doação de medula óssea e de sangue. A jovem não pensava somente nela, mas nas milhares de pessoas que dependem de um transplante para sobreviver.

A campanha se alastrou rapidamente e muitas pessoas decidiram se registrar para serem doadoras no Hemocentro de Cascavel. Em pouco tempo a iniciativa ganhou adeptos pelo Brasil inteiro e até no exterior. Aproximadamente 14 mil pessoas passaram a fazer parte do grupo #AmigosDaPoli.

Como ela conseguiu mobilizar tanta gente em um espaço tão curto de tempo? Cativar amigos sempre foi algo peculiar de Poliana, desde os tempos do Ensino Médio no Colégio Wilson Joffre, em Cascavel. No curso de Enfermagem, que concluiu em 2013, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) também conquistou muitos amigos. Seu sonho era atuar na área da saúde e ficar próxima da população. O desejo se tornou realidade após a conclusão da graduação e o início dos trabalhos Hospital Universitário do Oeste do Paraná. No trabalho de conclusão de curso discorreu sobre a importância dos acompanhantes de pacientes acamados em hospitais.

Poli não era apenas enfermeira, ficava amiga dos pacientes e encantava a todos com seu sorriso. Conversava, dava uma palavra de carinho e até fazia orações junto com eles. Sempre fez questão de demonstrar a sua fé e participava ativamente das atividades da Igreja Católica. Esteve na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013, quando o papa Francisco veio ao Brasil.

Amante da cultura gaúcha, costumava frequentar o Centro de Tradições Gaúchas(CTG) e não dispensava um bom chimarrão. “A mensagem dela era não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Não deixar de dar um bom dia ou sorrir para as pessoas”, conta a irmã Keli. Sempre preocupada com questões sociais, durante o período da faculdade participou do Projeto Rondon. Ficou um mês em Palmas, no Tocantins, e desenvolveu trabalhos sociais.

Em março, Poliana encontrou um doador de medula óssea compatível e foi internada no Hospital de Clínicas para o procedimento. Mas a baixa imunidade fez com que contraísse uma bactéria e tivesse infecção generalizada. Deixa o pai Valmor, a mãe Fátima, e a irmã Keli.

Lista de falecimentos - 19/04/2015

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