
Nascido depois de André e antes de Marcela, Rafael Romanowski não era o “irmão do meio” somente na ordem cronológica dos nascimentos. Ele costumava ficar, literalmente, no meio quando seus irmãos – ambos com temperamentos mais fortes que o dele – tinham algum desentendimento típico da vida em família. “Ele sempre foi um pouco reservado, mas era um ótimo conciliador”, lembra André.
Apesar do jeito tranquilo de ser, Rafael também sabia ser competitivo quando o assunto era esporte. Num tempo em que o movimento de carros nas ruas do Centro de Telêmaco Borba, nos Campos Gerais, ainda não limitava as brincadeiras da meninada – no idos dos anos 1990 –, ele já demonstrava interesse pela Educação Física, área de conhecimento a qual dedicaria sua vida acadêmica e profissional. “O Rafael sempre jogava um futebolzinho ou bete-ombro com a piazada. As ruas eram mais sossegadas”, diz o irmão.
Filho do papiloscopista Sérgio e da professora Vanda, o menino tinha certo encanto pela profissão da mãe. “Assim como ela, o Rafael adorava trabalhar com crianças e tinha muita paciência para ensinar”, aponta André. No final do Ensino Médio, o jovem já matutava sobre como faria para vencer os 130 quilômetros que separam Telêmaco Borba e Ponta Grossa, onde pretendia se graduar. Justamente no ano em que ele prestou vestibular, a UEPG abriu uma turma de Educação Física na cidade dele. “Além de ser aprovado no primeiro vestibular que prestou, meu irmão também fez parte da primeira turma do curso em Telêmaco Borba”.
Durante a fase de universitário, Rafael procurou se dedicar muito à pesquisa sobre atividade física para crianças e ao estágio em escolas de educação infantil. Pouco depois de formado, ele passou a ser professor do Colégio do Serviço Social da Indústria (Sesi-PR) no município. Também trabalhava com ginástica laboral em diversas empresas locais e de outras cidades próximas, como Arapoti e Jaguariaíva , por meio do próprio Sesi.
Rafael também teve passagens marcantes – tanto pelo profissionalismo quanto pela facilidade em fazer amigos – nas academias Physical e Joy, ambas localizadas na “capital do papel”. Apegado à família, o rapaz era um frequentador assíduo das missas da Paróquia Nossa Senhora de Fátima. E não dispensava uma boa festa. “Ele era meio reservado, ‘sossegadinho’, mas sabia se divertir”, lembra o irmão.
Durante uma temporada na casa que a família tem no balneário de Coroados, em Guaratuba, no Litoral do Paraná, os dois irmãos resolveram comprar uma piscina de quatro mil litros. O “brinquedão” passou a ser um verdadeiro “xodó” de Rafael. “Ele preferia ficar mais tempo na piscina do que no mar. A altura da água não dava no joelho e, mesmo assim, a gente mergulhava nela”, conta André, rindo, saudosista. Torcedor do Atlético Paranaense, ele chegou a assistir a alguns jogos do Furacão da arquibancada.
Há cerca de dois anos, Rafael começou a apresentar os primeiros sintomas de um câncer muito severo no cérebro que, infelizmente, foi a razão do seu último adeus. “Ele dizia que não iria chorar por causa dessa doença, pois em momento nenhum meu irmão pensou em desistir”, afirma André. Deixa os pais, dois irmãos e uma avó.







