
Há mais de 40 anos, a enfermeira Reni Lourdes Walter foi uma das pioneiras em Curitiba em montar uma livraria especializada em bibliografia médica. Abriu as portas para os interessados no bairro Água Verde e, devido ao sucesso, expandiu os negócios para o Jardim Botânico. Pela experiência na área de saúde, Reni foi uma das primeiras profissionais contratadas pela Prefeitura de Curitiba e também atuou como professora do curso de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) por muitos anos. Ela escreveu vários livros. O primeiro deles foi Técnicas Básicas de Enfermagem; a obra serviu como referência para milhares de alunos.
A rotina diária era das mais simples. A máquina de escrever era a companheira dos momentos em que estava em casa. Reni dedicava-se com afinco aos manuscritos e às apostilas usadas pelos futuros profissionais de enfermagem. Sua profissão era tudo. A Livraria Florence foi fundada juntamente com Rosi Maria Koch, amiga e colega de profissão, em 1978. Em parceria com Rosi, Reni também escreveu as obras Prevenção de Acidentes e Primeiros Socorros (1980) e Anatomia e Fisiologia Humana (2000). A obra Doenças Transmissíveis (1997), escrita pelas duas, também teve a participação de Maria Gisi.
Segundo a sobrinha e afilhada, Luciane de Souza, a tia Nini, como era conhecida em família, prestou vestibular para Enfermagem na PUCPR com pouco mais de 20 anos, em 1964. Em dezembro do mesmo ano foi admitida nos quadros profissionais da Prefeitura de Curitiba. Trabalhava no posto de saúde do Pilarzinho. A cidade deu início aos serviços da saúde pública no início da década de 1960. Reni nunca mais abandonou a função. Dedicou-se à saúde coletiva até se aposentar, em 1988.
Fez inúmeras especializações em São Paulo e, na década de 1970, foi convidada para dar aula para o curso de Enfermagem da PUCPR. Também mantinha um carinho especial com as irmãs e com o trabalho da Faculdade de Enfermagem do Hospital Nossa Senhora das Graças.
Era dinâmica e alegre, recorda-se Luciane. Também era uma pessoa solidária. A família se recorda das inúmeras vezes que Reni se dispôs a possibilitar festas de Natal e ano novo para crianças abrigadas. Com autorização das instituições, muitos pequenos chegaram a compartilhar da alegria da família durante os festejos de fim de ano. Ela adorava reunir os familiares e amigos em almoços de fim de semana.
A doença de Reni foi um susto para a família. Depois de um breve internamento, a enfermeira não resistiu a um enfarte no intestino. O Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) publicou uma homenagem nas mídias sociais: “a enfermagem paranaense lamenta o falecimento de uma grande pessoa, mulher e enfermeira.” Deixa três irmãs, nove sobrinhos e seis sobrinhos-netos.







