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obituário

Roberto Mauricio Navarro Lins: a vaidade e as tardes com a família

 | Arquivo pessoal
(Foto: Arquivo pessoal)

O ralo bigode de Roberto Mauricio Navarro Lins era marca reconhecível e inevitável. Sempre o sustentara. O neto Guilherme Lins conta que nunca viu o vô sem o bigode – milimetricamente aparado para que não atingisse a comissura dos lábios. Tratava a aparência como algo incontornável: gostava de se vestir bem, asseadamente, não importava se fosse para um evento ou somente para receber os amigos e parentes em casa.

Era aos domingos, nos cafés e almoços na casa de Roberto, que a família se reunia. Os encontros eram sagrados e sempre muito animados. Era como se recebessem e sustentassem, ali, constante carinho. Magrinho e de olhos castanhos claros, sua estrutura física não correspondia ao sentimento quase que inconcebível que tinha pelos três bisnetos – Letícia, João Guilherme e Giovanna.

Joinvilense, Roberto nasceu em 1920 e, aos 42 anos, deixou a Cidade da Dança e mudou-se para Curitiba com a esposa – Maria –, e as filhas – Neusa Maria, Maria Cristina e Maria Luiza. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Lins morou na antiga Vila Bancária (agora parte da Vila Izabel) e perto da Reitoria da Universidade Federal do Paraná.

Um de seus prazeres durante a aposentadoria era passar longos períodos no Litoral catarinense. Com Maria, sua companheira por mais de cinco décadas, descansava e aproveitava seus dias em Balneário Camboriú. Das praias, o bancário retirava a tranquilidade de todos os momentos.

Cultivar e externalizar a alegria o era caro e irretocável. Conhecido pelo humor contagiante e por uma imensa vontade de viver, Roberto não se deixou abalar mesmo com o falecimento da esposa, em 1997. O espírito forte e a coragem também o fizeram superar outras perdas, como a morte de dois genros extremamente queridos por ele.

O futebol, do mesmo modo, foi estrutura preponderante em sua vida. Antes torcedor fanático do Vasco da Gama, Lins – quando se estabeleceu na capital do Paraná – adotou o Coritiba como time do coração. Ainda quando os treinamentos eram realizados no Couto Pereira, levava os netos ao estádio para acompanhar o trabalho dos jogadores.

Roberto também adorava brincar com os amigos torcedores do Atlético Paranaense. O coxa-branca enviava presentinhos diferentes ao atleticano que estivesse comemorando o aniversário. Comprava canecas e bonés da equipe do Alto da Glória e os entregava; uma maneira de Lins afirmar a condição de torcedor fiel.

Ao completar 90 anos, deu uma grande festa. Chamou amigos e familiares que moravam em Joinville e reuniu todo mundo em sua casa. Era como se anunciasse sua despedida, como se fosse a última chance de guardar uma parte de cada um dentro de si. E partiu. Recolheu-se.

Deixa três filhas, seis netos e três bisnetos.

Dia 28 de outubro, aos 95 anos, decorrente de uma insuficiência respiratória, em Curitiba.

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