
Rosa era uma mulher da família. Dedicou a vida para cuidar dos sete filhos, 14 netos e três bisnetos. Antes, porém, fez carreira como professora de Ciências e Língua Portuguesa e também como dentista. Passou 13 anos dando aulas nas cidades de Ibaiti e Pitanga, antes de retornar para Curitiba.
A sala de aula e a educação sempre foram prioridades. Formou-se no Magistério e também em Odontologia. Nos estudos, tudo era um desafio. Em uma época em que mulheres eram minoria dentro das universidades, Rosa se destacou e expressava opiniões fortes durante as aulas. Ganhava cada vez mais espaço, por vezes causando espanto até em professores. Atuou como dentista no consultório particular em Colombo e no interior do Paraná, quando estava de folga das salas de aula.
A educação também guiou a personalidade de Rosa. Lia muito, gostava de jogos educativos, como quebra-cabeças e palavra cruzadas, e falava da maneira mais correta possível. “Ela tinha um vocabulário incrível, tinha boas palavras para tudo. Apesar de falar ‘difícil’, tudo soava de uma maneira muito natural. Ela não forçava falar bem, realmente sabia aquilo tudo”, conta a filha Ligia.
Foi nas salas de aula que descobriu o grande amor, Allyrio, estudante de Direito. “Foi paixão à primeira vista”, lembra Ligia. Em pouco tempo de conversa ele já dizia que ela era “a rosa da roseira” dele. Tiveram sete filhos juntos. Allyrio faleceu em 1975, com todos ainda muito jovens. Rosa seguiu com o esforço para que todos fizessem um curso superior. Neste sentido, cumpriu o objetivo. “Em uma época em que não existia internet, ela se esforçou muito para ajudar a gente nos estudos. Juntava dinheiro e comprava muitas enciclopédias para que fizéssemos pesquisas. Comprava também muitos livros. Na época chegamos a ter mais títulos que a própria biblioteca da escola”, conta a filha Ligia.
Aposentada e com os filhos formados, aproveitou para se manter atualizada. Fazia cursos em diversas áreas. Aprendeu um pouco de informática, artes, história e muitas outras coisas oferecidas ao grupo de terceira idade que frequentava. Também não deixava de lado a música clássica tocada pelos discos que tinha e os jornais de letra grande, preferidos para a hora da leitura.
Nascida em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, Rosa gostava muito da cidade. Tinha 13 irmãos. Quando voltou do interior do estado, em 1970, estabeleceu-se na capital paranaense. Para matar a saudade da infância, visitava Regina, uma das irmãs, quase todas as semanas Colombo. Acompanhada dos filhos, pegava ônibus logo cedo para chegar até a cidade. As crianças aproveitavam o quintal grande para brincar, enquanto ela comia um dos pratos prediletos: a polenta da irmã Regina.
De mãe, Rosa tornou-se também avó. Ao todo 14 netos e três bisnetos, todos com poucos anos de diferença. Como estudavam perto da casa de Rosa, iam direto para a casa da avó quando a aula acabava. Aproveitavam principalmente a boa comida. Ela era uma cozinheira de mão cheia. Os bolos eram quase obrigatórios no café da tarde. O achocolatado também era o número um no pedido dos netos. Antes de preparar não deixava de perguntar aos pequenos: leite quente, frio ou gelado?
Rosa também dominava a cozinha em datas importantes. Fazia questão de reunir todo mundo aos domingos. Primeiro todos em sua casa, mais tarde na casa dos filhos. Os encontros eram uma tradição que para ela não podia ser deixada de lado. Religiosa, gostava de rezar e levar todos à missa no dia 24 de dezembro. Sempre fez um Natal sem muitos presentes, mas com muita presença. Estavam sempre reunidos.
O fim do ano também marcava o aniversário, celebrado no dia 31 de dezembro. “Ela dizia que não tinha muita festa, pois era justamente a virada de ano. Costumavam responder que, pelo contrário, ela era a única que ganhava muitos foguetes no dia do aniversário”, lembra Ligia.
A paranaense tratava há alguns meses uma pneumonia. Não resistiu às complicações da doença. Deixa sete filhos, 14 netos, três bisnetos e três irmãs.







