
A cidade de Jaguariaíva era a casa de Rosa Maria Collete Rocha Leite. Com exceção de um ano vivido em São Paulo e outro em Curitiba, a vida toda se passou no município do Norte Pioneiro do Paraná. Lá nasceu, estudou, trabalhou e conheceu o marido José Rodney da Rocha Leite, com quem teve três filhos.
Em casa era a comandante. Os filhos Mauro, Audry e Sérgio foram criados ao seu modo. Quando pequenos iam à missa, mesmo às vezes contrariados. A mãe fazia questão de que participassem das cerimônias. Também fazia com que todos acordassem cedo. “Ela entrava no quarto e ia abrindo as janelas para o sol entrar”, conta o filho Mauro.
A igreja era fonte de grande dedicação para dona Rosa, como ficou conhecida na cidade. Ela participava de diversos grupos religiosos e atuava na “linha de frente” da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus da Igreja do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria e da Pastoral Catequética e Litúrgica, na Renovação Carismática Católica.
Ainda dentro da igreja, promoveu também a criação de um dos primeiros grupos de jovens da cidade. Junto com outras amigas, deu início aos Jovens Unidos Seguindo Cristo, o JUSC. As reuniões e ações do grupo marcaram os anos de 1980 na cidade. Fizeram tanto sucesso que inspiraram diversos outros jovens a se unirem pela igreja. Também comandou por anos a Hora do Angelus na Rádio Jaguariaíva, levando a devoção por Maria Santíssima para todo município e região.
Dona Rosa era querida por gente de todas as idades. A causa da sua popularidade era o magistério. Desde o término dos estudos, dividiu-se entre família, igreja e sala de aula. O amor pelos esportes fez com que virasse professora de educação física, formada pela Escola Superior de Educação Física, em 1959, em Curitiba.
Lecionou no Colégio Estadual Rodrigues Alves e no Colegial Paula Gomes. Nessas escolas, ficou conhecida por ter criado os times de basquete, handebol e vôlei e as equipes de ginástica rítmica e artística. Aventurou-se também no incentivo cultural entre os jovens, sendo uma das criadoras da Fanfarra Estudantil. Além de professora, também foi diretora da Escola Municipal Ângelo Carazzai.
A Semana da Pátria, marcada pelo desfile de 7 de setembro, agitava o coração de Rosa. Todos os anos, ocorre em Jaguariaíva a Corrida do Fogo Simbólico da Pátria. Ela fez questão de participar ativamente de muitas delas quando jovem. O ano de 2009, aliás, foi marcante para Rosa. Naquela ocasião, ela foi escolhida para ser a primeira a carregar o fogo da pátria.
As festas juninas eram outra grande paixão. Diziam que ninguém sabia conduzir e ensaiar a tradicional quadrilha como dona Rosa. Era também a especialista dos ensaios das danças do pau-de-fita, a balainha, a congadinha e o fandango.
Dona Rosa foi diagnosticada com um tumor no endométrio. Estava realizando os tratamentos para a doença, mas teve o funcionamento de alguns órgãos comprometidos. Deixa o marido José, os filhos Mauro, Audry e Sérgio, cinco netos, noras e a irmã Iara.







