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lista de falecimentos - 28/02/2015

Salim Chaiben: um contador bom de cesta

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

No início dos anos 30, quando ainda era criança, o pontagrossense Salim Chaiben tornou-se mascote do Operário Ferroviário Esporte Clube – nos velhos e bons tempos do futebol da Princesa dos Campos, onde a rivalidade dos times locais era acirrada e a disputa pelos títulos com os clubes da capital era frequente. Essa mesma rivalidade não conseguiu segurar o pequeno mascote como torcedor. Anos mais tarde, com o despertar de seu “sangue rubro-negro”, teve o Guarani Esporte Clube como time de coração. Escudo esse que seu pai, Ferit Chaiben, defendeu.

Nos anos 40, as aulas de piano e datilografia fizeram parte da rotina, atividades quase obrigatórias na formação dos jovens da época. Grande parte da infância passou ao lado das tias de descendência alemã, as quais exigiam muito na educação e na qualidade da vida escolar. O jovem teve a Academia Pontagrossense de Comércio – fundada pelo professor Altair de Oliveira Mongruel – como palco de seus estudos. E foi na quadra de basquete dessa academia que recebeu o convite do técnico Borell du Vernay para fazer parte do elenco da seleção pontagrossense de basquete. “Excursões ao Maracanã, no Rio de Janeiro, e passagens pela seleção paranaense de basquete também foram frequentes na sua carreira de atleta. Salim também construiu uma forte amizade com Mayr Facci, ícone do basquete brasileiro”, recorda-se o neto Israel.

Em 1949, casou-se com aquela que foi “sua única e eterna namorada”, Therezinha Curi Chaiben. Foram mais de sete décadas de cumplicidade em uma união que resultou no nascimento de duas filhas. “Qualquer coisa que for escrita, personificada, objetivada ou simbolizada, seria pouco para descrever a relação amorosa mais linda já vista”, declara o neto. Pai e avô sempre amoroso, a perda de uma das filhas foi um choque para Sallim. O fato ocorreu há 15 anos.“Ele aceitou a morte de nossa tia, mas desse dia em diante foi um homem um pouco menos feliz”.

Na carreira profissional, dedicou-se à contabilidade. Em 1948, formou-se Técnico em Contabilidade, na escola técnica da mesma Academia de Comércio Pontagrossense. Logo abriu o seu escritório. Salim especializou-se em Imposto de Renda Pessoa Física, o que atraiu os maiores clientes da cidade e região. “Ele tornou-se um profissional reconhecido em sua área e com uma impressionante captação de clientes e resolução de problemas. Frequentes viagens para São Paulo(SP) e Belo Horizonte (MG) para resolver questões tributárias fizeram parte do seu ofício.

Seu principal hobby era acompanhar as corridas de cavalo pelo Brasil. Em seu arquivo pessoal, guardava com zelo recordações dos grandes prêmios que presenciou em Curitiba e no Rio de Janeiro. Outras grandes paixões do contador eram a degustação de vinhos e a coleção de moedas brasileiras, a qual, antes de partir, deixou para o neto. “Vou dar continuidade a essa coleção”, conta Israel.

Como empresário, nos anos 80, trouxe a primeira franquia dos Chocolates Kopenhagen para Ponta Grossa. O sucesso profissional rendeu uma homenagem do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná com Honra ao Mérito pelos seus serviços prestados à Contabilidade Pontagrossense. Dois anos mais tarde, Salim recebeu mais uma honraria, em sessão solene: o título de Cidadão Benemérito de Ponta Grossa pelos seus serviços prestados à comunidade. “A maior honra em que um cidadão princesino pode receber”, emociona-se o neto.

Nos últimos meses, Salim viu sua saúde piorar e aos poucos deixou de sair de casa. Um dia antes de falecer, passou o dia reunido com a família comemorando o aniversário da companheira de tantos anos. Deixa a esposa Therezinha, uma filha, dois netos e uma bisneta.

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