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Lista de falecimentos - 18/03/2015

Salomão Iankilevich: médico de mão cheia

 | Arquivo da  família
(Foto: Arquivo da família)

Sem medo de sujar o sapato de terra ou de atender à emergência de saúde que fosse, o médico Salomão Iankilevich fez os primeiros anos da carreira no interior do estado. As estradas de chão de Paranavaí, Cambará, Jacarezinho, Bandeirantes, Londrina, Centenário do Sul e Jaguapitã conheceram a fama do doutor Salomão. Ele prestava atendimento a quem quer que fosse – independente do pagamento ser em dinheiro, galinhas ou porcos.

Nascido em Florianópolis (SC), em 1923, foi o quinto filho dos sete rebentos de um casal de russos que fugiu da perseguição antissemita na Europa. Salomão morou em muitos lugares, mas se estabeleceu com a família em Curitiba – quando já era adolescente. Passaram pelo Chile, Argentina e outros estados brasileiros, mas resolveram fincar raízes no Paraná.

Concluiu o então chamado ‘ginásio’, atual Ensino Médio, na capital paranaense. Alguns anos depois, formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, em 1948. Embora a faculdade fosse gratuita, Salomão precisou incluir a rotina de trabalho junto com os estudos, pois precisava ajudar a família. Foi lanterninha nos cinemas e representante de produtos farmacêuticos.

Frequentador da Sociedade Israelita do Paraná, lá conheceu Lia, sua futura esposa. Ele era 13 anos mais velho que ela, mas ganhou o coração da moça, que era poetisa. O casamento ocorreu em 1959.

Logo depois o casal foi para o interior, onde começou a carreira de Salomão. A esposa, então uma jovem dama, chorou ao se deparar com o cenário que a esperava nas cidadezinhas. “Montou consultório de clínica geral num quarto da casa do farmacêutico José Gurgel, pôs uma placa na porta da frente e ficou no aguardo da clientela. Fez de tudo um pouco. Atendia a todo tipo de pessoas, desde parturientes até tuberculosos”, relata a filha, Débora Iankilevich.

Na década de 1960, com duas filhas e experiência profissional, Salomão voltou a atuar em Curitiba. Trabalhou como médico perito, primeiro na previdência estadual e depois no INSS. Mesmo no serviço público, descartava tratar a medicina como mercadoria. “Ele era aquele médico de ‘antigamente’, que fazia consultas de 40 minutos, perguntava tudo sobre o paciente. Inclusive na perícia ele atuava de forma humana, pois entendia que as pessoas procuravam a previdência em um momento delicado, de doença ou aposentadoria”, conta a filha.

Como responsável pela equipe médica do INSS em Curitiba, a primeira providência tomada por Salomão foi colocar cadeiras para quem esperava pelo atendimento. Antes, ficava todo mundo em pé – mesmo que a fila começasse ainda na madrugada.

Perdeu sua amada esposa cedo, em 1982. Ela tinha 46 anos. Depois disso, não namorou nem casou. A sua verdadeira devoção pela mulher não o permitiu encontrar outra parceira. Para tentar suprir o vazio deixado pela partida de Lia, Salomão viajou – e muito – pelo mundo todo. A primeira foi para Israel. “Era um lugar que eles sonhavam conhecer juntos. Lá, ele mandou plantar 18 arvores em homenagem a ela. Em hebraico, o número 18 significa vida”, conta a filha.

O médico se aposentou aos 70 anos e ocupou seu tempo com música clássica, teatro e livros. Assistia aos concertos da Orquestra Sinfônica do Paraná aos domingos, no Teatro Guaíra. Mesmo com a idade avançada, Salomão aprendeu a mexer no computador e dirigiu até os 85 anos.

Aos 91 anos, o organismo já não respondia às necessidades do corpo da mesma maneira. “Meu pai era dono de lindos olhos verdes e um coração compassivo. Ele, para nós, sempre foi um homem sensível, com valores sólidos, amoroso e preocupado em proporcionar a melhor educação às filhas”, conta Débora. Nos últimos anos, Salomão viveu com a filha Rebeca, que se dedicou dia e noite aos cuidados com o pai. Além das duas filhas, deixa dois netos e dois bisnetos.

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