
Quem acha que o semblante sério é a marca de todos os policiais militares nunca conheceu Sandra Alves. A Cabo londrinense era sorridente, bem humorada e muito simpática. Quem trabalhou com ela tinha, além da confiança de mais de 30 anos de corporação, também a companhia da simpatia em pessoa. Sandra também era sinônimo de dedicação ao trabalho. Poderia ter se aposentado em 2009, quando completou 25 anos dentro da Polícia Militar do Paraná, mas preferiu seguir mais alguns anos com a carreira.
“Ela sempre dizia que não saberia o que fazer se não trabalhasse na Polícia, por isso não quis se aposentar quando pode”, lembra o Sargento Guimarães, amigo e colega de profissão. A principal função dentro da corporação foi a de rádio operadora. Companheiros de farda contam que ela era extrovertida e muito bem humorada quando guiava as viaturas para as ocorrências, alegrando a todos que a ouviam. Mesmo em momentos mais tensos no rádio, não deixava o sorriso de lado. O bom humor de Sandra só acabava quando ela estava diante de uma injustiça. Não aceitava preconceitos ou discriminação.
Conversar também era um ponto forte. Era atenciosa e preocupada com os amigos. “Ela nunca dizia não. Ajudava todo mundo, não importando o que precisassem”, lembra o marido José Tureta. A disposição para ajudar também era vista quando estava em família. Sempre foi próxima dos pais e dos cinco irmãos, fazendo o que fosse para que estivessem sempre bem. Também se dedicou muito aos sogros, principalmente quando não estavam bem de saúde.
A moça de 1,93 m e dona de um sorriso largo conquistou José à primeira vista. A polícia novamente esteve presente no encontro. Se conheceram em um churrasco de amigos em comum, também policiais militares. Em 1990, um ano após o encontro, estavam casados.
Com o companheiro vieram dois presentes para Sandra: Orleans e Giliane. As duas crianças eram frutos do primeiro casamento de José, mas se tornaram os filhos da londrinense. Frequentavam shoppings, parques e restaurantes com a família. Já com os enteados casados, adquiriu outro hábito: pelo menos duas vezes por mês, ia com o marido a um pesque-pague da cidade para garantir um “peixinho”.
Os peixes que pescavam era preparados na telha pelo marido. A iguaria se tornou o prato preferido de Sandra. Para ele, era sempre um prazer preparar os pratos favoritos da esposa.
As horas vagas entre a PM e a família eram preenchidas com o crochê. Fazia blusas, cachecóis e mantas.As peças viravam presente para os amigos ou enfeites da casa.
A londrinense também usava o tempo livre para ouvir música. Ouvia de tudo. Músicas clássicas e eruditas até hits caipiras estavam no seu repertório. Não tinha um cantor favorito. Se a voz a agradasse, a canção entrava na playlist de policial.
Sandra foi internada com uma pneumonia e não resistiu as complicações da doença. Deixa os pais, cinco irmãos, o marido, dois filhos, um neto e muitos amigos.







