
Pode-se afirmar que Sandro Marcelo da Silva acompanhou de perto dois momentos importantes da história de Foz do Iguaçu. Em 1985, quando tinha apenas 17 anos, lá estava ele no canteiro de obras da Usina de Itaipu, auxiliando nas atividades de topografia. Quatro anos mais tarde, integrava a primeira turma de funcionários da TV Cataratas, emissora do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM).
Na época, a contratação veio por meio de indicação dos professores de Eletrotécnica, curso que ele fazia no antigo Colégio Pitágoras. “Ele era muito dedicado e, mesmo ganhando menos, queria mudar de ares. Na época, ele me disse que lá na usina já não tinha mais o que aprender”, lembra a mãe, Ondina.
Nos 26 anos em que atuou na emissora, Sandro presenciou muitas transformações, como a migração do sinal analógico para o digital. Mesmo após chegar em casa, ele não costumava se desligar fácil do trabalho. Qualquer inconstância no sinal da televisão já era motivo para ele contatar os colegas e ajudá-los na solução do problema.
Foi nos corredores da TV que conheceu a esposa, Adriane, na época, operadora de caracteres. “Tínhamos uma turma de amigos na empresa e sempre nos reuníamos”, lembra a esposa. Após alguns flertes, o primeiro encontro surgiu de uma armação dos colegas. “Marcamos de ir ao cinema, mas no final das contas só nós dois aparecemos”. O romance começou naquele momento e por seis meses se manteve em sigilo por razões profissionais.
Em 1997, os dois se casaram no civil; em 2002, no intervalo de um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo (disputada no Japão e na Coreia do Sul), a união foi oficializada na Igreja São José Operário. “O padre nos casou rapidinho para voltar a assistir ao jogo”, recorda.
Com sua experiência, Sandro sempre estava disposto a ajudar quem estava começando a entender o universo da televisão. Foi assim com Flávio Renato, técnico de manutenção da TV Cataratas. “Tudo o que eu sei foi graças a ele. O Sandro sempre foi carismático e parceiro. Sempre ajudava no que a gente precisava”, conta.
Sandro gostava de trabalhar de madrugada. Antes de se casar, pela tranquilidade e a possibilidade de assistir a partidas de basquete na TV a cabo. Depois, pela necessidade de cuidar das filhas durante o dia, enquanto Adriane trabalhava. Nos últimos tempos, pertencia à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) do canal.
Em casa e no trabalho, ele era considerado um cozinheiro de mão cheia. Entre as especialidades estavam um empanado com creme de milho, bolachas, bolos e até as próprias barras de cereais que o ajudavam a repor as energias após as pedaladas. Por falar nisso, o ciclismo era a sua mais nova paixão. Já eram mais de 20 bicicletas em sua coleção. Somente em setembro, foram mais de 400 quilômetros percorridos.
Assim que se aposentasse, por volta de 2020, o plano era levar a esposa para morar numa casa de praia.
No dia 30 de setembro, enquanto pedalava, Sandro sofreu uma queda e faleceu, pegando a todos de surpresa.
Deixa a mãe, duas irmãs, a esposa e duas filhas. Dia 30 de setembro, aos 47 anos, de acidente ciclístico, em Foz do Iguaçu.







