
Apesar de ter sofrido uma queda no meio do percurso, Sebastião Abílio Simon venceu a Prova Cyclistica Cidade de Curitiba, de 29 de março de 1936. Ele integrou a equipe dos anos de ouro dos investimentos do Coritiba em ciclismo, entre 1930 e 1950. Usava a camiseta 20. Dizia que o cearense Antônio Couto Pereira, major, ex-presidente e responsável pela estruturação patrimonial e institucional do clube, era um baixinho invocado. O Coritiba homenageou o Dr. Abílio, como era conhecido, quando completou 100 anos e fez um vídeo em que ele conta uma parte de sua relação com os esportes e o time de coração.
A paixão pelo ciclismo começou de modo despretensioso, com o pai o presenteado com uma bicicleta usada. Em pouco tempo, Abílio estava em caminhos mais audaciosos, contrariando os conselhos familiares. Era comum, aos domingos, andar de bicicleta de Curitiba a Quatro Barras, São José dos Pinhais e Araucária.
Passou a competir em 1933. Logo na primeira corrida, ficou em 2º lugar. Não parou mais.
Tinha admiração por motos. Guiou-as até os 90 anos. A família insistia que era perigoso. Contudo, apenas a debilitação de sua vista impediu que continuasse dirigindo. Sempre se manteve muito lúcido. Diariamente, ouvia a BandNews e o programa do jornalista Ricardo Boechat. Gostava de contar as notícias. Depois fazia uma espécie de circuito do bate-papo, que começava às 10 horas, na padaria, e passava por lojas e comércios do Centro, jogando conversa fora com atendentes. Aquelas com quem mais conversava eram presenteadas em balinhas e receitas de seus pratos preferidos.
Abílio gostava muito de macarronadas e pasteis, que fez, até certa idade, com regularidade. Gostava de pescar no Rio Paraná e de caçar perdiz e codornas. Praticava, quando isso era permitido e não era considerado abominável, tiro ao pombo. Fumou até os 50 anos. Parou após ser internado depois de cair em uma calçada em reformas. Antes disso, porém, tinha sido internado apenas uma única vez para operar uma hérnia.
Nasceu em Curitiba, a 18 de agosto de 1914. Alguns dias antes, o exército alemão entrou na Bélgica rumo à França durante a Primeira Guerra Mundial. Formou-se em Odontologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Teve uma breve passagem por Teixeira Soares, no sudeste paranaense e, depois em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, retornando à capital no início da década de 1960.
Era inquieto, um pai rígido no trato diário, enérgico à italiana. Aos filhos, confessava que gostaria de ter sido, ao invés de cirurgião-dentista, engenheiro mecânico. Consertava relógios, banquinhos, panelas. Tinha uma boa memória, de lembrar o local em que era guardada cada ferramenta na oficina do filho. Fazia palavras cruzadas todo dia e era colecionador da revista Seleções. Também tocava acordeon.
Deixa quatro filhos, quatro netos e quatro bisnetos.
Dia 28 de agosto, aos 101 anos, de complicações causadas por uma pneumonia, em Curitiba.







