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lista de falecimentos - 24/06/2015

Sérgio Ney Tramujas: os carros, os cães e as surpresas do vovô coxa-branca

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Aos 76 anos, o catarinense Sérgio Ney Tramujas era a imagem típica de um avô. Cabelos grisalhos, sempre risonho, um pouco reclamão, mas sempre pronto para brincar. Mesmo tendo apenas dois netos, Lucas e Angelina, sempre esteve cercado de crianças. Sua prontidão para brincadeiras fez com que fosse adorado por todos os amigos da dupla. Durante toda sua vida “adotou” inúmeros coleguinhas que já tinham perdido os avós. Não havia momento ruim para o avô Sérgio. Fazia tudo o que queriam. Sempre com um bom causo para contar ou um presente nas mãos, dizia que os netos foram feitos para “estragar”.

Os quatro filhos, Claudia, Sandra, Andrea e Sérgio, sempre tiveram seus momentos de “mimos” do pai. Um homem muito carinhoso, ele gostava de surpreender. Quando pediam um presente no Natal ou no aniversário, ele dava um jeito da surpresa ser ainda mais marcante. O agrado era sempre melhor do que todos esperavam.

Aos 21 anos de idade nunca imaginou que Curitiba poderia trazer sua grande paixão, a esposa Maria Isabel. Tinha vindo estudar administração na UFPR e estava em um baile na cidade. Foi na festa que conheceu a espanhola, que acabava de desembarcar no Brasil. A moça estava com um vestido de gola grande e branca. Ele ficou encantado por ela assim que a viu. Disse para todos os amigos que iria casar com a mulher do vestido com “babador”, como chamou a gola. Casaram-se em 1963, três anos depois do primeiro encontro. Como bom apaixonado, gostava de estar sempre ao lado de Maribel, apelido da esposa. Fazia questão de dormir em casa todos os dias. Seguia várias vezes a Criciúma quando ainda trabalhava, mas não gostava de hotéis. No fim do dia viajava para casa, em Curitiba, mesmo estando muito cansado. “Ele dizia que uma das piores invenções do mundo eram as camas grandes, pois ficava difícil dormir ‘coladinho’”, lembra a filha Claudia.

Os passeios fizeram parte de toda sua história. Sempre que podia, chegava em casa e falava para esposa que eles iriam dar uma volta. Quando ela se dava conta, já estava em Morretes ou em outra cidade do Litoral do Paraná. Algumas vezes, as “voltas” foram um pouco mais longe. Conheceram Manaus e outras tantas cidades brasileiras. O passeio mais marcante foi quando atravessaram o oceano. Sérgio conseguiu realizar o sonho de levar a esposa para visitar Madrid, sua terra natal. Foi a primeira vez que Maria Isabel voltou para a Espanha depois ter se mudado para o Brasil.

Além do amor pela família, Sérgio tinha outras três paixões: o Coritiba, os carros e os cachorros. Acompanhava quase todos os jogos do Coxa no Estádio Couto Pereira. Levou filhos e netos às partidas e transformou toda sua família em torcedores do Alviverde. De todos, apenas o genro Mauro era atleticano. A última homenagem do genro rubro-negro foi levar a bandeira do Coritiba na despedida do sogro. Sérgio foi sepultado com o presente, símbolo da sua paixão pelo time.

Os carros começaram a tomar parte em seu coração quando, por acaso, encontrou um “fordinho” 29. O veículo foi “desenterrado” por ele em um galpão no caminho para Santa Catarina. Restaurou todas as partes de seu xodó. O Ford chamava a atenção de todos que o encontravam. O carro encantava tanto que um americano, depois de muita persistência, conseguiu comprá-lo e levou-o para Boston. Teve ainda dois grandes Impalas, também restaurados por ele. Foi nas “banheiras”, como chamava os carrões, que ensinou seus filhos a dirigir.

Os cachorros passaram a fazer parte da vida de Sérgio quando ele comprou um Dobermann para garantir a segurança da casa e acabou se apaixonando pelo animal. Conheceu então as feiras de exposição e acabou levando seu companheiro Adam, que se tornou um grande campeão da raça. Os huskies siberianos também ganharam o coração dele. Ele foi um dos primeiros criadores da raça no Brasil. Chegou a ter 20 cães em sua casa, todos sempre criados em seu grande jardim. Nos últimos anos, os vários “vira-latinhas” que adotou eram os que aproveitavam o espaçoso terreno.

Há muitos anos, um problema no coração acompanhava a rotina de Sérgio. Nos últimos tempos sofria com algumas dificuldades que a arritmia ocasionava. Teve insuficiência cardíaca em 15 de junho e não resistiu. Deixa a esposa Maria Isabel, os quatro filhos Claudia, Sandra, Andrea e Sérgio, os netos Lucas e Angelina, três genros, uma nora, um irmão e uma irmã.

Lista de falecimentos - 24/06/2015

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